18 abr 2009

Pivete

Chico Buarque y Francis Hime

Recordando la música de Serrat "Niño Silvestre" que traduje antes al portugués...



Atorrante

En el semáforo en rojo
Él vende chicles
Se esmera limpiando autos
Y se llama Pelé
Pinta en la ventana
Batalla por el cambio
Apunta la navaja
Y hasta ahí.

Dobla por Carioca, oleré
Baja por Frei Caneca olara
Se va hacia Tijuca
Sube al Borel
Medio que se esconde
Actúa con los narco
Consigue marihuana
Y un papel
Sueña con una mina oleré
Tabla de surf, parafina, olara
Duerme sintiéndose buena gente
Y despierta loco.

Anda por las zanjas
Cobra una pavada
Y tiene piernas torcidas
Y se llama Mané
Fuerza una puerta
Hace contacto directo
Mete la primera
Y hasta ahí va

Dobla por Carioca, oleré
Baja por Frei Caneca olara
Se va hacia Tijuca
Em contramano.
Se afloja el guardabarro
Revienta el paragolpes
Y ahora él se llama
Emerson
Sube en el paseo, oleré
Pasa por Recreo, olará
No se importa con el freno
O la dirección

En el semáforo en rojo
Él vende chicles
Y se llama atorrante
Y pinta en la ventana
Se esmera con la gamuza
Consigue una beretta
Trabaja la alcantarilla
Y tiene piernas torcidas…



Valsinha

Chico Buarque


Una amiga me hizo ver que esta bien podría ser la conclusión de la historia de la pareja del Tratado de Impaciencia Nº 10 de Sabina... Me gustaría pensar que sí...




Vals

Un día, él llegó tan diferente de su manera de siempre llegar
La miró de un modo mucho más cálido que lo que siempre solía mirar
Y no maldijo la vida tanto como era su modo de siempre de hablar
Ni la dejó en un rincón, para su gran espanto, la invitó a rodar.
Y ella entonces se puso bonita, como hace mucho no quería osar
Con su vestido escotado con olor a guardado de tanto esperar
Después se dieron los brazos como hace mucho no se usaba dar
Y llenos de ternura y gracia, fueron a la plaza y comenzaron a abrazarse
Y allí bailaron tanto que toda la vecindad despertó
Y fue tanta felicidad que la ciudad entera se iluminó
Y fueron tantos besos locos, tantos gritos roncos como no se oía más
Que el mundo comprendió
Y el día amaneció
En paz.


16 abr 2009

Entre la Tierra y el Cielo

Los Nocheros

Dedicado a todos os ursinhos carinhosos...





Entre a terra e o céu

Sinto que me provocas,
embora não pretendas fazê-lo,
Está gravado em sua boca,
um acalorado desejo.
E eu quase posso te tocar como uma fruta madura.
Pressinto que te amarei, para além da loucura.

Eu vou comer-te o coração a beijos, ao viajar sem limites no teu corpo, e as nossas roupas no chão, suaves, gota a gota, vou te embriagar de paixão.
Eu vou comer-te o coração a beijos, ao viajar sem limites no teu corpo, vou deixar por teus lugares, pássaros e flores, como uma semente da paixão.


Agora você solta o seu cabelo e, assim descalça caminhas, vou morder a isca, pois quero o que imaginas.
Quando cai teu vestido, como uma flor no chão, não há nada proibido, entre a terra e o céu.


Eu vou comer-te o coração a beijos, ao viajar sem limites no teu corpo, e as nossas roupas no chão, suaves, gota a gota, vou te embriagar de paixão.
Eu vou comer-te o coração a beijos, ao viajar sem limites no teu corpo, vou deixar por teus lugares, pássaros e flores, como uma semente da paixão.




15 abr 2009

Dos canciones / duas canções

Elegí estas dos canciones porque cuando escucho una de ellas recuerdo inmediatamente la otra...
Escolhi estas duas canções porque quando escuto uma delas, lembro imediatamente da outra...


Eu te amo

Chico Buarque y Tom Jobim




Yo te amo


Ah, si ya perdimos noción de la hora
Si juntos ya desechamos todo
Cuéntame ahora cómo he de partir

Ah, si al conocerte
Empecé a soñar, desvarié
Rompí con el mundo, quemé mis naves
Dime donde puedo ir aún.

Si nosotros, en las travesuras de noches eternas
Ya confundimos tanto nuestras piernas
Dime con qué piernas debo yo seguir.

Si esparciste nuestra suerte por el suelo
Si en el lío de tu corazón
Mi sangre se equivocó de vena y se perdió

Cómo, si en el desorden del armario
Mi saco abraza tu vestido
Y mis zapatos aún pisan los tuyos.

Cómo, si nos amamos como dos paganos
Tus senos aún están en mis manos
Explícame con qué cara voy a salir.

No, yo creo que te haces de sonsa
Te di mis ojos para que los guardaras
Cuéntame ahora como he de partir.




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Inventario

Joaquin Sabina



Inventario

As coisas que dizes quando calas,
Os pássaros que aninham em tuas mãos,
O espaço do teu corpo entre os lençóis,
O tempo que passamos nos insultando,
O medo à velhice, aos calendários
Os táxis que corriam aterrorizados,
A dignidade perdida em qualquer parte,
O violinista louco, os abrigos,
As luas que beijei eu em teus olhos,
O denso cheiro de esperma desbordado,
A história que caçoa de nós,
A tanga que esqueceste no armário,
O espaço que ocupas em minha alma,
A boneca salvada do incêndio,
A loucura espreitando de tocaia,
A batalha diária entre dois corpos,
Meu quarto com seu pôster de touros,
O pranto das esquinas do esquecimento,
As cinzas que restam, os despojos,
O filho que jamais tivemos,
O tempo da dor, os buracos
O gato que miava no telhado,
O passado latindo como um cão,
O exílio, o desamparo, os discursos,
Os papéis que nunca nos uniram,
A redenção que busco entre tuas coxas,
O nome na capa de um caderno,
Teu modo de agasalhar meu coração,
A cela que ocupaste em meu cárcere,
Meu barco à deriva, minha canção,
O grito do vento entre as árvores,
O silêncio com que te armas como um muro,
Tantas coisas belas que morreram
O tirânico império do absurdo,
Os escuros porões do desejo,
O pai que morreu quando eras menina,
O beijo que apodrece em nossos lábios,
A cal das paredes, a desídia,
A praia que habitavam os vermes,
O naufrágio de tantas certezas,
O desabamento de deuses e de mitos,
A escuridão em torno como um túnel
A cama navegando no vácuo,
O desmoronamento da casa
O sexo nos resgatando do tédio
O grito quebrado, a madrugada,
O amor como um rito em torno ao fogo,
A insônia, a felicidade, os cigarros,
A árdua aprendizagem do respeito
As feridas que já nem Deus nos alivia,
A merda que arrastamos sem remédio,
Tudo o que nos deram e tiraram,
Os anos transcorridos tão depressa,
O pão que compartimos, as carícias,
O peso que levamos nas mãos.



Yo Pisaré Las Calles Nuevamente

Pablo Milanés





Eu Pisarei as Ruas Novamente

Eu pisarei as ruas novamente
Do que foi Santiago ensangüentada,
E numa bela praça libertada
Deter-me-ei a chorar pelos ausentes.

Eu virei do deserto calcinante
E sairei dos bosques e dos lagos,
E evocarei num morro de Santiago
Meus irmãos que morreram antes.

Eu unido ao que fez muito e pouco
Ao que quer a pátria libertada
Dispararei as primeiras balas
Mais cedo que tarde, sem descanso.

Retornarão os livros, as canções
Que queimaram as mãos assassinas.
Renascerá meu povo de sua ruína
E pagarão sua culpa os traidores

Uma criança brincará numa alameda
E cantará com seus amigos novos,
E esse canto será o canto do solo
A uma vida ceifada em La Moneda

Eu pisarei as ruas novamente
Do que foi Santiago ensangüentado,
E numa bela praça libertada
Deter-me-ei a chorar pelos ausentes


14 abr 2009

Tratado De Impaciencia No. 10

Joaquin Sabina



Tratado de Impaciência Nº 10


Aquela noite não choveu,
Nem apareceste te desculpando
Dizendo, enquanto te sentavas,
“desculpa se chego tarde”

Não me abrumaste com perguntas,
Nem eu tentei te impressionar
Contanto tolas aventuras,
Falsas histórias de viagens.

Nem deambulamos pelo bairro
Buscando algum tugúrio aberto,
Nem te beijei quando a lua
Sugeriu-me que era o momento.

Também não fomos dançar,
Nem tremeu um pássaro em teu peito
Quando minha boca foi passando
Das palavras aos fatos.

E não acabamos na cama,
Que é onde acabam estas coisas,
Ardendo juntos na fogueira
De pele, suor, saliva e sombra.

Assim que não estejas lamentando
O que pôde ocorrer não ocorreu.
Aquela noite que tú não foste,
Também não fui ao encontro eu...



13 abr 2009

Trocando em miúdos

Chico Buarque




Haciendo las cuentas

Voy a dejarte la cinta del Bonfin
No me sirvió
Pero sí me quedo con el disco de Pixinguinha
El resto es tuyo

Haciendo las cuentas
Puedes guardar
Las sobras de todo lo que se dice hogar
La sombra de todo lo que fuimos nosotros
Las marcas de amor en nuestras sábanas
Y nuestros mejores recuerdos

Aquella esperanza de que todo se arreglará
Puedes olvidar
Aquella alianza puedes empeñarla
O derretirla
Pero debo decir que no voy a darte
El enorme placer de verme llorar
No voy a cobrarte por los daños
Mi pecho tan lacerado

Es más, acepta una ayuda de tu futuro amor
Para el alquiler
Devuelve el Neruda que me tomaste
Y nunca leíste

Golpeo el portón sin hacer alarde
Me llevo mi cédula de identidad
Una última cerveza, mucha nostalgia
Y la leve impresión de que ya voy tarde.







Nota del Traductor:

Medida do Bonfim

La cinta original fue creada en 1809, desapareciendo al inicio de la década de 1950. Conocida como medida del Bonfim, su nombre se debía al hecho de que mide exactamente 47 centímetros de largo, medida esta que es idéntica al brazo derecho de la Estatua de Jesús Cristo, Senhor do Bonfim, situada en el altar mayor de la iglesia más famosa de Bahia.

Se venden en diversos colores, que poseen connotaciones religiosas. Cada color representa un orixá. Así el verde oscuro es para Oxossi, celeste para Iemanjá, Amarillo para Oxum, etc.

La superstición manda que se anude en el pulso con tres nudos mientras se hacen tres pedidos y se tiene que dejar la cinta en la muñeca sin sacarla nunca hasta que ésta se rompe para que los deseos se cumplan.

11 abr 2009

O Baiango de Salú & Ramí

Dalton S.

Esta composiçao me foi emprestada por um amigo por encaixar perfeitamente no perfil do blog rsrsrsrs.



"Sempre me interessei pela Poesia Latina, às interpretações musicais, em Espanhol, dependendo do assunto são muito mais aguerridas que o Português.
Mas nasci sob o domínio verbal luso, e por adorar as gafes que cometemos, ao nos atrevermos a discursar em castelhano, já escrevi algo sobre uma gafe do Marco Maciel, ex vice-presidente do Fernando Henrique, discursando para representantes do Mercosul, quando soltou um sonoro "Puevos Irmanos".
Sem pestanejar,escrevi em sua homenagem o Baiango de Salú e Ramí, cantado parte em Tango e parte em Baião, mas infelizmente não o tenho gravado em cd."

O Baiango de Salú & Ramí

tango- ele canta
Salustiane o que sí passa con lostê
Sumiendo assi de casa até me aborrecier
Cuidado que jo puesso mi zangar
Or miesmo sin lostê me acostumar
Voltiando a la boemia de mi cais

És su ciúme que ti faz lostê assi
Que non se uni a lo amor que habita em mi
Elpuevo em viziniança percebió
E zuomba: Sú Salú se escondió
Perfídias que assiolam su rapaz

baião- ela canta
Oh Ramires, seu safado
Não se façade coitado
Que a Izildinha me contou
Que a cumadre Severina
Que não faz nem sai de cima
Com você se amancebou

Vê se cuida da tua vida
Vê se cura essa ferida
Que eu já tenho um novo amor
Que me dá casa, comida
E amizade colorida
Sem cobrar nenhum favor


E assim se fez mais um poema em Brasinhol, eheh.

10 abr 2009

Crônicas do Anjo Cinzento

Alejandro Dolina
Crônicas do Anjo Cinzento é o primeiro livro de Alejandro Dolina. Os relatos dão vida aos homens que habitam o bairro de Flores, localizado em Buenos Aires, vizinhanças do famoso Anjo que é um ser serviçal, mas de duvidosa eficácia, escassos poderes e ao que todos preferem evitar. O livro possui vários personagens associados em dois grupos principais “Os Homens Sensíveis” e os “Refutadores de Lendas”. Os Homens Sensíveis são “espíritos propensos aos circunlóquios metafísicos”, já os Refutadores de Lendas são os cínicos incrédulos. O texto a seguir é uma das crônicas de que se compoe o livro.



A conspiração das mulheres belas.


Quando Jorge Allen, o poeta, atravessava no caminho de alguma mulher bela, caia no mais profundo desassossego. Esta moça não será para mim – pensava enquanto a via virar para sempre na esquina. É que cada mulher que passa sem se deter é uma história de amor que não se realizará nunca. E já se sabe que os homens de coração sonham com viver todas as vidas. Em ocasiões especiais, Allen usurpava o passo de uma das mais bonitas para dizer alguma coisa:

- Veja: se não me conhecer, a senhorita não poderá ter o luxo de me esquecer...

Mas sempre acontecia a mesma coisa. As moças de Flores não mostravam o menor interesse em esquecer ou recordar o poeta.
(...)
Uma tarde, envenenado pela fria mirada de uma morena na rua Bacacay, o homem teve uma inspiração: suspeitou que a indiferença das fêmeas mais notáveis não era casual. Adivinhou uma intenção comum em todas elas. E decidiu que tinha que existir uma conjura, uma conspiração. E a chamou de A Conspiração das Mulheres Belas. Allen nunca foi um sujeito de pensamentos ordenados. Mas a sua idéia interessou muitíssimo as pessoas mais reflexivas do bairro de Flores. O primeiro fruto dessas inquietudes foi a memorável conferência no cinema San Martin pronunciada pelo polígrafo Manuel Mandeb. Seu título foi “Das mulheres é melhor não falar”. Vale a pena transcrever alguns parágrafos conservados na duvidosa memória dos supostos assistentes.

“... Ninguém pode negar o poder diabólico da beleza. Trata-se em realidade de uma força muito mais irresistível que a do dinheiro ou da prepotência. Qualquer um pode desprezar quem nos subjuga a través do suborno ou do temor. Mas, pelo contrário, não temos mais remédio que amar quem nos impõe humilhações em virtude do seu encanto. E este é um trágico paradoxo.”
(...)
Da quarta fila, um grupo de colegiais retrucou a exposição do palestrante, chamando sua atenção acerca do comportamento dos condutores de caminhões. Opinavam as meninas que estes profissionais, mais que requerê-las de amores, pareciam querer insultá-las.
(...)
E aí surge o tema polêmico. Em que consiste uma cantada? Qual é o seu objetivo e essência? Alguns sustentam tratar-se de um gênero artístico: Um homem vê uma mulher, se inspira e solta frases. Não existe esperança de uma recompensa, basta com a satisfação de haver atendido os duendes interiores.
(...)
Outra corrente, menos desinteressada, pensa que toda cantada manifesta a intenção de começar um romance. Vale dizer que se espera da dama que o recebe, uma resposta alentadora. Difícil será – por certo – que alguém obtenha um sorriso a troco de uma grosseria. O assunto é empolgante e foi desenvolvido pelo próprio Mandeb, muito depois, em um livro chamado “A objeção das colegiais”, título que despertou um equivocado entusiasmo entre os condutores de caminhões.
(...)
Os Refutadores de Lendas fizeram ouvir sua voz dias mais tarde. Em uma de suas habituais reuniões, manifestaram que não acreditavam na possibilidade de uma conspiração. O argumento dos racionalistas merece consideração: segundo eles, as mulheres belas se odeiam entre si e é inconcebível qualquer tipo de acordo entre elas. Declararam também que é falso que esta estirpe não dê atenção aos homens: todos os dias vemos mulheres belas acompanhadas de algum senhor. No cúmulo da loucura, os Homens Sensíveis contestaram que aí estava o ponto: o senhor que acompanha as mulheres formosas é sempre outro e isto provoca ainda mais tristeza que quando as vemos sozinhas. Não seria estranho que estas damas e seus acompanhantes não fossem senão íncubos e súcubos que recorrem o mundo para ser dique das almas simples. Ives Castagnino, o músico de Palermo, raciocinava deste modo: se o propósito das mulheres terríveis é fazer sofrer os homens, elas têm duas maneiras de consegui-lo:

1- Não vivendo um romance com eles
2- Vivendo um romance com eles.


Aparentemente, ao músico aterroriza muito mais a segunda alternativa.
(...)
Houve quem pediu que se esclarecesse os limites da formosura para saber concretamente quem eram as mulheres que alcançavam essa categoria. A questão é árdua, como todo juízo estético.
(...)
O assunto torna-se ainda mais complexo a causa a ação dos Aumentadores de Barangas, uns cavalheiros que com elogios e falsidades conseguem que certas bruacas acreditem ser rainhas do carnaval. Assim, os homens de coração chegam a padecer a violência de se verem rejeitados por damas que jamais pensaram seduzir. A tarefa dos Aumentadores já foi muito longe, e chegou inclusive a capas de revistas e anúncios publicitários, onde se propõe à admiração das pessoas toda classe de papagaios fantasiados de colombinas. A dizer verdade, jamais alcançaram a reunir provas convincentes sobre a existência da conspiração. Mas continuaram padecendo seus efeitos. Afortunadamente, para os rapazes, houve sempre entre as ditas conjuradas, algumas Traidoras Adoráveis. Naturalmente, toda traição tem seu preço e muitas vezes a exigência era o amor eterno. Os homens de Flores pagavam uma e outra vez esta tarifa. A denúncia de Jorge Allen já foi esquecida no bairro do Anjo Cinzento. Mas mesmo que ninguém converse sobre o assunto, basta com sair à rua para comprovar que as coisas continuam como então. Aí estão as mulheres belas em Flores e na cidade toda, gritando com seus olhares de gelo que não estão no nosso futuro nem no nosso passado.
(...)
Não há mais remédio que querê-las a pesar de tudo. E mais ainda, tentar que elas nos amem. Esta segunda tarefa é especialmente complicada e pode levar a vida eterna. Consiste, por exemplo, em ser bom, aprender a tocar piano, transformar-se em herói ou santo, estudar ciências, comprar um suéter novo, lavar os dentes, ser considerado e meigo, renunciar aos empregos nacionais. Uma vez feito tudo isso, já pode o homem apaixonado, parar na rua e esperar o passo da primeira mulher bela e dizer bem forte:

- Sofri muito, apenas para conhecer seu nome.

Certamente, ela fingirá não haver escutado, olhará o horizonte e continuará seu caminho. Mas será injusto.


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9 abr 2009

Círculos Viciosos

Joaquin Sabina




Círculos Viciosos

Queria fazer o que fiz ontem, mas introduzindo uma mudança
Não metas mudanças, Silario, que o chefe anda por aí.
Por que ele é o chefe?
Porque vai de cavalo
Porque vai de cavalo?
Porque não desce dele
E porque não desce?
Porque ele vale muito
E como você sabe que vale muito?
Porque está muito claro
E por quê está tão claro?
Porque ele é o chefe!
Isso mesmo foi o que eu perguntei: e por que ele é o chefe?

Eu quero dançar um som e não me deixa Lucia
Eu no seu lugar não dançaria, porque Ramón está triste
E por que está triste?
Porque está doente
E por que está doente?
Porque está muito magro
E por que está tão magro?
Porque tem anemia
Por que tem anemia?
Porque come pouco.
Por que come pouco?
Porque está muito triste
Isso mesmo eu te perguntei. Por que está tão triste?

Queria formar sociedade com o vizinho de baixo
Esse não tem trabalho, não te fies Sebastião.
Por que não trabalha?
Porque não consegue.
Por que não consegue?
Porque está fichado
Por que está fichado?
Porque rouba muito.
E por que rouba tanto?
Porque não trabalha
Isso mesmo foi o que eu perguntei: por que não trabalha?

Quero conhecer aquele lá, conversar, dizer olá...
Não viu o revólver? Deixa disso Javier.
E por que o revólver?
Porque ele tem medo
E por que tem medo?
Porque não confia
E por que não confia?
Porque não sabe o que acontece
E por que não sabe?
Porque não lhe falam
E por que não lhe falam?
Por que tem revólver.

Isso mesmo foi o que eu perguntei: por que o revólver?
Isso mesmo foi o que eu perguntei: por que não trabalha?
Isso mesmo foi o que eu perguntei: por que está tão triste?
Isso mesmo foi o que eu perguntei: por que ele é chefe?