21 sept 2009

La Ciencia en Flores




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A ciência em Flores
Alejandro Dolina

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Os Refutadores de Lendas sustentaram sempre que toda a Natureza pode-se expressar em termos matemáticos. O pouco que resta fora, não existe.
Assim, esta orientação racionalista se esforçou, usando cifras, vetores e logaritmos, em representar coisas tais como o tango “El Entrerriano” ou os ciúmes das namoradas da Rua Artigas.
Quando fracassavam, simplesmente declaravam superstição o que não conseguiam enquadrar em suas estruturas científicas.
Existia um minucioso catálogo de coisas inexistentes que se atualizava a cada ano. Lá figuravam os sonhos, as esperanças, o bicho papão, a alma, o ornitorrinco, o quatorze de corações, o Anjo Cinzento de Flores, o gol de Ernesto Grillo contra os ingleses, o pôquer servido e a angustia.
Outra publicação venerada foi o desmesurado livro “Um Amor assim tão Grande”, resultado do desejo de medir tudo. Nesse trabalho não somente se outorgam valores numéricos a sabores, aromas e formas, senão também as sensações espirituais mais sutis.
Ao longo de cem capítulos se estabelece a quantidade de adrenalina que produz um individuo antes de ser vacinado, o volume que alcançam as lágrimas de uma mãe ao longo de sua vida, a quantidade de cera que trazem em seus ouvidos o conjunto de habitantes da cidade de Buenos Aires (suficiente, ao parecer, para lustrar todos os andares do edifício de Obras Sanitárias), e a energia que consome um suspiro.
Alguns dados produzem indignação nas almas simples: para essa gente a novela Madame Bovary consiste em certa mistura de meio quilo de papel e um quarto litro de tinta. Os elementos químicos que compõem ao homem são descritos pontualmente com seu preço nas farmácias do lugar. Deste modo chega-se à conclusão de que é mais barato um senhor robusto do que um abajur.
Não faz falta indicar o grande sucesso obtido por esta curiosa forma de avaliar o universo. Constantemente podemos ouvir no rádio as declarações de brilhantes esportistas que manifestam se encontrarem em setenta e cinco por cento, sabe Deus de quê. Os rapazes preparam tabelas de posições nas que dão a entender que querem primeiro a sua mãe, depois seu pai e em terceiro lugar à sua avó. E em quarto… de longe… o tio Juliano. Os boletins de notas não são outra coisa que a versão escolar do pensamento dos Refutadores.
A pesar de que a descrição da conduta de um aluno que não estudou sua lição se reduz a um redondo zero. Pelo contrario, um estudante talentoso e perseverante será premiado não com um carinho, nem com uma frase estimulante, mas sim com um dez.
Não se sabe se os Refutadores de Lendas escreviam cartas de amor, mas não seria estranho que suas meigas declarações consistissem em gráficos representativos do progresso dos seus sentimentos.
Todo este arrebato cientificista não pôde menos que causar repugnância nos Homens Sensíveis de Flores que confiavam mais na intuição do que na razão.
Como acontece sempre, os excessos racionais geram desaforadas revoltas românticas. Mas no bairro de Flores essa revolta não se manifestou unicamente a través da arte, senão que teve lugar – além disso – no terreno científico.
A Sociedade dos Científicos Sentimentais nasceu graças ao impulso do professor Aurélio C. Frascarelli, quem farto da desumanização das disciplinas científicas resolveu colocar um pouco de sangre ao frio mundo das raízes quadradas e das cotangentes.
Este pensador delirante fundou a sociedade antes citada e editou um Manual de Ingresso que nunca se soube se era um livro de texto ou uma coleção de tentativas poéticas.
As primeiras inovações do manual são modestas. Limita-se a uma redação mais emotiva dos problemas de regra de três composta. Transcreveremos um deles:
Problema 14: Doze homens tristes tropeçam em um ano com cento e seis desilusões. Não se conhecem entre si, mas sofrem de um modo parecido. Pergunto então: Quantas desilusões padecerão oito homens tristes em seis meses?
Como podem observar a única novidade consiste em substituir vegetais por desilusões e em certas declarações desnecessárias como o mutuo desconhecimento e a tristeza destes homens. Mas conforme se avança na leitura do Manual encontram-se coisas mais audazes. O problema 187 é praticamente uma novela curta. A descrição psicológica do protagonista – um comerciante pouco escrupuloso – está bastante bem lograda.
Há personagens laterais (um cunhado que procura um tesouro escondido) e uma divertida pintura típica de um armazém de bairro. A pergunta final (“a quanto deveria vender o quilo de arroz?) resulta insignificante ao lado de outras interrogantes que não estão escritas, mas sim sabiamente sugerida pelo professor Frascarelli: A vida tem sentido? Há algum propósito no Universo? Cumprimos sem sabê-lo com algum plano divino ou diabólico?
A partir da metade do livro, o autor começa a tomar partido arbitrariamente em árduas questões matemáticas. Paralelamente se incorporam julgamentos éticos e estéticos na explicação de teoremas e postulados. Fala-se então de paralelepípedos malandros, de esferas traidoras, de ângulos tediosos e chega a se dizer que o trapezóide é uma figura que não merece ser tomada a sério.
As questões biológicas são no Manual de Ingresso verdadeiras fantasias. A vida do paramécio é um conto de terror e Frascarelli chega a afirmar que as amebas são muito guardiães e fiéis aos seus amos.
A atividade dos Científicos Sentimentais não se reduzia à difusão do Manual. Nos anos dourados do bairro de Flores, muitos mestres românticos deram aula em uma academia particular da Rua Condarco.
Os alunos padeciam da mesma loucura dos professores. Cada vez que se realizava algum experimento no gabinete de química, os jovens saíam correndo aterrorizados, enquanto gritavam “Coisa de Bruxaria” ou “o Diabo anda solto”.
O próprio Frascarelli dirigia um grupo de investigação cujos métodos provocavam o escândalo dos Refutadores. Acreditavam, por exemplo, na busca do acaso. Este critério podia ser escrito assim: sabendo que muitos grandes descobrimentos se realizaram por acaso, parece uma boa idéia dissimular o verdadeiro propósito da investigação. Assim, quando se quer encontrar uma estrela, busca-se um micróbio. Os resultados não foram muito espetaculares, se bem Frascarelli se jactava de ter encontrado um específico que combatia o mau hálito enquanto procurava a pedra filosofal.
Em ocasiões, os científicos sonhadores acudiam à busca empírica e tomavam frascos de loções brancas, para ver o que acontecia. Estas experiências se anotavam num caderno que sobreviveu à Sociedade e no que se refere a mais de mil e quinhentas loucuras, que vão desde comer pólvora até se atirar a caída livre desde diferentes alturas para estabelecer os danos físicos e morais que, além dos quatro metros, acostumavam se traduzir simplesmente em morte.
Há que dizer que, mesmo que seus sucessos foram pequenos, os propósitos da Sociedade não tinham limites. Durante anos tentaram fazer algum milagre. Buscaram a esmeralda que cura todas as doenças, o elixir da eterna juventude, o pó de Pirlimpimpim, o xarope do amor eterno e a chave da sabedoria. Discutiram sobre a quadratura do círculo e a imortalidade do caranguejo e tentaram voltar ao passado e visitar o futuro.
Todos sabem que no bairro do Anjo Cinzento se destilava o vinho do esquecimento e o licor da recordação. Também são conhecidos perfeitamente seus efeitos e propriedades. Ao parecer, o que matava era a mistura.
Alguns mentirosos pretendem que estas maravilhas foram criadas pelos Científicos Sentimentais. Nada mais falso. O vinho foi obra dos Amigos do Esquecimento, um clube que propunha a abolição do passado. E o licor é – sem dúvidas – um achado de Manuel Mandeb, o polígrafo de Flores.
Tal como é fácil suspeitar, os científicos românticos foram derrotados pela prédica incessante dos Refutadores de Lendas.
Hoje todo mundo rende culto à Ciência Pura. E existe um ilustre paradoxo: os Refutadores não fizeram mais que substituir as velhas lendas por outras mais novas, muito piores.

Os arquitetos razoáveis poderão duvidar da existência da alma, mas assinarão qualquer teoria sobre o átomo, os nêutrons e prótons, com a maior alegria.
Não importa se entendem estas teorias. Na verdade – como diz Sábato – o pensamento científico parece ter maior poder quanto menos compreendido é. Por isso se costuma dizer:
- Que bem que ele fala! Não entendo nem uma só de suas palavras.
Quando um racionalista se torna supersticioso, não há quem lhe ganhe. Tudo parece indicar que o futuro pertence aos Refutadores de Lendas. Talvez por isso os membros dessa entidade – a única que resta das que existiram nos anos dourados – se mostram tão otimistas com relação ao que virá.
Todos os adoradores do progresso nos pintam um porvir cheio de calçadas móveis que nos evitarão o esforço de caminhar, com máquinas invictas, com rios domados, e veículos cada vez mais velozes.
Às almas simples, a descrição desses espantosos mecanismos lhes parece algo diabólico.
Porque neste projeto de aparelhos infalíveis e formidáveis fontes de energia não parece existir a menor preocupação por responder alguma das perguntas que o professor Frascarelli soube inserir no ser memorável problema 187.
A Sociedade dos Científicos Sentimentais era uma loucura. Mas talvez faça falta um pouco de loucura entre tanta exatidão e precisão.
Serão bons os cálculos e os teoremas inexpugnáveis, se é que se aplicam a losangos, ângulos e cubos. Mas começam a falhar quando se trata de pessoas. E talvez isto constitua a maior virtude do homem, seu toque divino. O último dos malandros de Flores é mais interessante do que uma estrela, somente porque seu comportamento é imprevisível.
Nada isto significa que devamos renunciar à ciência e seu arsenal.
Que continuem inventando liquidificadores e tônicos contra o catarro. Dois mais dois é quatro. Os Refutadores de Lendas têm razão. Mas nada mais do que isso: razão.
E isso a mim não me basta.



12 sept 2009

Te Solte La Rienda

 Jose Alfredo Jimenez

Música postada a pedido... de presente pra um amigo muito querido.








Soltei tuas Rédeas
 
Acabou-se a força
De minha mão esquerda
Vou te deixar o mundo
Só para você
Como ao cavalo branco
lhe soltei as rédeas
A ti também te solto
E vais embora já mesmo


E quando por fim compreendas
O amor bonito
Que tinhas comigo
Vais sentir saudades de meus beijos
Nos próprios braços
De quem estiver contigo
Vais sentir que choras
Sem poder sequer
Derramar o seu pranto
E hás de querer olhar-te
Em meus olhos tristes
Que amaste tanto
Que amaste tanto
Que amaste tanto

Quando se quer à força
Ultrapassar a meta
E se abandona tudo
O que se teve
Como tu trazes a alma
Com a rédea solta
A ti também te solto
E vais embora já mesmo


E quando por fim compreendas
O amor bonito
Que tinhas comigo
Vais sentir saudades de meus beijos
Nos próprios braços
De quem estiver contigo
Vais sentir que choras
Sem poder sequer
Derramar o seu pranto
E hás de querer olhar-te
Em meus olhos tristes
Que amaste tanto
Que amaste tanto
Que amaste tanto

Acabou-se a minha força
E te soltei as rédeas.

LO(U)CURAS....

 Morir de amor, enloquecer de amor, querer hasta la muerte... Canciones que hablan de un gran amor. A veces "conversan" entre ellas... a veces se complementan... pero todas tienen en común una gran pasión.
Morrer de amor, enlouquecer de amor, amar até a morte... cançoes que falam de um grande amor. Às vezes "conversam" entre elas... às vezes se complementam, mas todas têm em comum uma grande paixao...


Penélope
Joan Manuel Serrat
Penélope

Penélope, com sua bolsa de couro marrom
e seus sapatos de salto alto
e seu vestido de domingo.
Penélope se senta num banco da gare
e espera chegar o primeiro trem
agitando o leque.
Dizem na cidade
que um caminhante deteve seu relógio
numa tarde de primavera.
“Meu amor não me chores,
voltarei antes que os salgueiros
percam suas folhas.
Pense em mim
voltarei por ti…”
Pobre infeliz
deteve-se o seu relógio infantil
numa tarde cinzenta de abril
quando partiu seu amante.
Murchou no teu jardim
até a última flor.
Não há um salgueiro na Rua Mayor
para Penélope.
Penélope, tristes à força de esperar,
seus olhos parecem brilhar
se um trem apita ao longe.
Penélope
um atrás do outro os vê passar,
olha suas caras, os ouve falar,
para ela são bonecos.
Dizem na cidade que o caminhante voltou.
A encontrou no seu banco de pinho verde.
A chamou:
“Penélope minha amante fiel, minha paz,
deixa já de tecer sonhos em tua mente,
olha pra mim, sou teu amor, regressei”
Sorriu-lhe com os olhinhos cheios de outrora,
não era assim sua cara nem sua pele
“Tu não és quem eu espero”
E ficou com a bolsa de couro marrom
e seus sapatos de salto alto
sentada na estação


En el Muelle de San Blas
Maná

No Cais de San Blás

Ela despediu seu amor
ele partiu num barco no cais de San BlasEle jurou que voltaria
E molhada em pranto ela jurou que esperaria
milhares de luas passaram
e sempre ela estava no cais esperando
Muitas tardes aninharam
aninharam nos seus cabelos
e em seus lábios
Usava o mesmo vestido
para que se ele voltasse Napo fosse se enganar
os caranguejos lhe mordiam
sua roupa, sua tristeza e sua ilusão
e o tempo se escorreu
e seus olhos se encheram de amanheceres
e do mar se apaixonou
e seu corpo se enraizou
no casi
Sozinha
sozinha no esquecimento
sozinha
sozinha com seu espírito
sozinha
sozinha com seu amor no mar
sozinha
no Cais de San Blás.
Seus cabelos embranqueceram
mas nenhum barco seu amor lhe devolvia
e no povoado lhe diziam
lhe diziam a louca do cais de San Blás
e numa tarde de abril
tentaram levá-la ao manicômio
ninguém a pôde arrancar
e do mar nunca, jamais a separaram
Sozinha
sozinha no esquecimento
sozinha
sozinha com seu espírito
sozinha
sozinha com seu amor no mar
sozinha
no Cais de San Blás.
Sozinha
sozinha no esquecimento
sozinha
sozinha com seu espírito
sozinha
sozinha com o sol e o mar
Sozinha
sozinha no esquecimento
sozinha
sozinha com seu espírito
sozinha
sozinha com seu amor no mar
sozinha
no Cais de San Blás.
Ficou
Ficou
Sozinha, sozinha
Ficou
Ficou
Com o sol e com o mar
Ficou aí
Ficou até o final
Ficou aí
No Cais de San Blás
Sozinha, sozinha, sozinha…



Maria Rosa
Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves


 
Maria Rosa

Ven aquella mujer de cabellos blancos
Vistiendo harapos, calzando sandalias
Pidiendo en las puertas pedazos de pan?
La conocí cuando joven era un ángel de hermosa
Su nombre: María Rosa, su apodo: pasión
Los trapos de su vestimenta no es sólo necesidad
Cada uno, para ella, representa una nostalgia
O de un vestido de baile, o de un regalo, tal vez
Que alguno de sus enamorados le dio.
Quiso un cierto día Maria poner la fantasía de tiempos pasados
Poner en su galería unos nuevos enamorados
Esta mujer que antaño a tanta gente encantó
Ninguna mirada obtuvo ahora, ninguna sonrisa encontró
Y entonces de los viejos vestidos que fueron antaño su predilección
Mandó hacer ese sobretodo de recuerdos
Ustedes, Marías de ahora, amen solamente una vez
Para que más tarde ese sobretodo no les sirva a ustedes

Morena dos Olhos D'água
Chico Buarque 

 
Morena de ojos de agua

 
Morena de ojos de agua
Saca tus ojos del mar
Ven a ver que la vida aún vale
La sonrisa que tengo
Para darte
Descansa en mi pobre pecho
Que jamás enfrenta al mar
Pero que tiene un abrazo estrecho, morena
De forma de agradarte
Ven a oír lindas historias
Que por tu amor soñé
Ven a saber cuantas victorias, morena
Por mares que sólo yo sé.
Morena de ojos de agua
Saca tus ojos del mar
Ven a ver que la vida aún vale
La sonrisa que tengo
Para darte
Tu hombre se fue
Prometiendo volver enseguida
Pero las olas no tienen hora, morena
Para partir y para volver
Pasa la vela y se va
Pasa el tiempo y también se va
Pero mi canto aún te implora, morena
Ahora, morena, ven.
Morena de ojos de agua
Saca tus ojos del mar
Ven a ver que la vida aún vale
La sonrisa que tengo
Para darte




Pedaço de Mim
Chico Buarque

 
Oh, Pedazo de Mí



Oh, pedazo de mí
Oh, mitad apartada de mí
Llévate tu mirada
Que la nostalgia es el peor tormento
Es peor que el olvido
Es peor que entenebrecerse
Oh, pedazo de mí
Oh, mitad exiliada de mí
Llévate tus señales
Que la nostalgia duele como un barco
Que poco a poco describe un arco
Y evita anclar en el puerto
Oh, pedazo de mí
Oh, mitad arrancada de mí
Llévate tu bulto
Que la nostalgia es el revés de un parto
La nostalgia es ordenar el cuarto
Del hijo que ya murió
Oh pedazo de mí
Oh mitad amputada de mí
Llévate lo que hay de ti
Que la nostalgia duele latente
Y es así como un dolor
En el miembro que ya perdí
Oh pedazo de mí
Oh mitad adorada de mí
Lava mis ojos
Que la nostalgia es el peor castigo
Y yo no quiero llevar conmigo
La mortaja del amor
Adiós.


Gota d'água
Chico Buarque

 
Gota de Agua

 
Ya te di mi cuerpo
Mi alegría
Ja estanqué mi sangre
Cuando hervía
Mira la voz que me queda
Mira la gota que falta
Para el desenlace de la fiesta
Por favor…
Deja en paz a mi corazón
Que es un recipiente hasta el borde de tristeza
Y cualquier desatención, no lo hagas
Puede ser la gota de agua



Loucura
Lupicínio Rodrigues


Locura

Y entonces
Yo comencé a cometer locuras
Era un verdadero infierno
Una tortura
Lo que yo sufría
Por aquél amor
Millones de diablillos martillando
Mi pobre corazón que agonizando
Ya no podía más de tanto dolor
Y entonces comencé a cantar un verso triste
El mismo verso que hasta hoy existe
En la boca triste de algún sufridor.
Como es que existe alguien
Que aún tiene el coraje de decir
Que mis versos no contienen mensaje
Son palabras frías, sin ningún valor.
Oh, Dios, será que no estas viendo esto
Entonces por qué es que mandaste a Cristo
Aquí a la tierra a sembrar amor
Y cuando se tiene a alguien
Que ama de verdad
Sirve de chacota a la humanidad
Es un cobarde, un débil, un soñador
Si es que hoy todo está tan diferente
Por qué no dejas que yo muestre a esta gente
Que aún existe el verdadero amor
Hazla volver a mi lado nuevamente
Yo me someto a ser sacrificado
Salva tu mundo con mi dolor.

10 sept 2009

O Côncavo e o Convexo

Roberto Carlos
Cóncavo y Convexo
para descargar la música


Nuestro amor es demasiado
Y cuando el amor se hace
Todo es mucho más bonito
En él nos entregamos
Mucho más de lo que está
Y lo que no está escrito…
Cuanso nos abrazamos
Tantas cosas ocurren
Que no se puede decir
En ese encuentro perfecto
Entre mi pecho y tu pecho
Nuestra ropa no cabe…
Nuestro amor es así
Para ti y para mí
Como manda la receta
Nuestras curvas se encuentran
Nuestras formas se encajan
En la medida perfecta…
Este amor es para nosotros
La locura que trae
Ese sueño de paz
Y es demasiado bonito
Cuando nos besamos
Se ama y se olvida
La vida que hay afuera
Cada parte de nosotros
Tiene la forma ideal
Cuando juntas están
Coincidencia total
Del cóncavo y el convexo
Así es nuestro amor
En el sexo…

Histórias de Amor

Alejandro Dolina 

 
Histórias de Amor
O universo é uma perversa imensidade feita de ausências. Não estamos quase em nenhuma parte. No entanto, no meio das infinitas desolações há uma boa notícia: o amor
Os Homens Sensíveis de Flores tomavam esse rumo quando queriam explicar o cosmo. E até os Refutadores de Lendas tiveram que admitir quase sem reservas que o amor existe. Isso sim, ninguém deve confundir o amor com a felicidade. Ao contrário: às vezes se pensa que o amor e a tristeza são uma mesma coisa. Especialmente no bairro do Anjo Cinzento, que é também o bairro do desencontro.
As histórias amorosas dos tempos dourados são quase sempre tristes. Isto não basta para afirmar que todos os romances foram infelizes: acontece talvez que a arte precisa de nostalgia. Não é possível ser artista se não se perdeu alguma coisa.
Os poemas de amor satisfeito aparecem como malandragem de comerciante afortunado. Por isso os poetas de Flores procuram a desilusão, porque pensavam que perto dela andava o verso perfeito.
Quase todos ficavam à metade do caminho. Manuel Mandeb via as coisas de um modo mais complicado.
Admitia que a pena de amor conduzisse à arte. Mas também sustentava que o propósito final da arte é o amor. A recompensa do artista é ser amado. E assim parecia opinar Ives Castagnino, o músico de Palermo, quem compunha valsas melancólicas com o único objetivo de seduzir senhoritas. Quando não conseguia, sua tristeza lhe ditava outras canções que, mais tarde, servia-lhe para deslumbrar senhoritas novas e assim recomeçava o círculo.
Alguns rapazes sem vocação artística tentavam merecer as damas cultivando as ciências, a bondade, a coragem, a riqueza e a extorsão.
Os autores de aforismos extraíram destas realidades uma conclusão modesta: se não fosse pelo amor, ninguém faria grande coisa.
As moças beligerantes podiam objetar que esses pensamentos parecem reservados à conduta masculina.
Ao respeito, Mandeb acreditava que as mulheres faziam de si mesmas um feito artístico. O polígrafo de Flores, em um rapto de arbitrariedade, chegou a estabelecer uma ordem de qualidades, de acordo à sua eficácia para apaixonar. Colocou em primeiro lugar a beleza e logo a juventude, esclarecendo que estas duas virtudes são talvez uma só. Depois localizou as condições espirituais: inteligência e bondade. Em último lugar, o poder e o dinheiro. Multidões de feios de certa idade polemizaram com Mandeb reclamando o direito a ser amado por sua limpeza, trajetória comercial ou sobrenome ilustre.
De todos os modos, para esse obscuro pensador, o amor era uma flor exótica cujo descobrimento acontecia muito poucas vezes.
- De cada mil pessoas que passam por essa porta – dizia – por acaso nos comova somente uma. Do mesmo modo, talvez só uma entre as mil seja capaz de se comover conosco. A conta é simples: sem contar percepções traiçoeiras e desilusões posteriores, a possibilidade de um amor correspondido é de uma em um milhão.

Não está mal, depois de tudo. Mas deixemos a pura especulação dos espíritos obtusos de Flores. Muito mais interessante é saber como amaram realmente. Para isso transcreveremos algumas histórias que presumem de verdadeiras e que chegaram a nós por avenidas literárias ou por escuros becos confidenciais.




HISTÓRIA DO QUE ESPEROU SETE ANOS
Jorge Allen, o poeta, amava uma jovem peituda dos bairros hostis. Como se soube depois chegou a ser feliz.
Uma noite de junho, a moça resolveu lhe abandonar
- Não te amo mais – disse.
Allen cometeu então os piores pecados de sua vida: suplicou, se humilhou, escreveu versos horrorosos e chorou pelos cantos. A peituda se manteve firme e assinou a manobra se envolvendo com um esportista reluzente.
O poeta recobrou a dignidade e ocupou seu tempo em amar sem esperanças e em recordar o passado. Sua alma se temperou no sofrimento e se fez cada vez mais sábio e bondoso.
Muitas vezes sonhou o regresso da moça, mas teve o bom tino de não esperar que tal sonho se cumprisse.
Mais tarde soube que jamais haveria na sua vida algo melhor do que aquele amor impossível. No entanto, uma noite de verão, sete anos e sete meses depois de seu pronunciamento, a peituda apareceu de novo.
As lágrimas corriam pelo decote quando confessou ao poeta:
- Outra vez te amo.
Allen nunca pôde contar com clareza o que sentiu naquelas horas. O caso é que voltou à sua casa, vazio e desiludido. Quis chorar e não pôde. Nunca mais voltou a ver a peituda. E o que é pior, nunca mais, nunca mais voltou a pensar nela nem a sonhar com seu retorno.





HISTÓRIA DO QUE SE APAIXONOU POR UMA MENINA JOVEM DEMAIS.


Manuel Mandeb soube se apaixonar por uma menina muito jovem da Rua Paez
A moça não lhe fez desfeita por causa da diferença de idade e, além disso, é certo que Mandeb era um homem de aspecto soberbo, dentro de seu estilo sombrio. Mas logo começaram as dificuldades. Um dia Mandeb insistiu em caminhar sob uma chuvarada enquanto recitava, aos gritos, um soneto inédito.
Uma noite fez amor com ela na casa mal-assombrada da Rua Campana para espantar os demônios.
Às vezes, de madrugada, trepava até a janela da menina, no terceiro andar, e lhe deixava uma flor vermelha presa. Uma tarde de inverno lhe deu a provar do licor do esquecimento e do vinho da recordação.
No verão tirava-lhe a blusa nas ruas escuras e lhe vestia alguma de suas desgastadas camisas azuis. Para seu aniversário deu-lhe de presente uma sombra roubada em Villa del Parque que havia aprisionado numa caixinha de cristal. Depois ensinou a todos os pássaros de Flores a cantar o nome da moça em sua janela. Então a menina abandonou Mandeb e comentou depois às suas amizades em uma pizzaria:
- Não éramos da mesma geração.



HISTÓRIA DO QUE SE DESGRAÇOU NO TREM
Jaime Gorriti tomava todos os dias o trem das 14h35min. E todos os dias ele observava uma estudante morena. Com prudente astúcia procurava se colocar perto dela e – às vezes – conseguia um olhar prometedor.
Uma tarde começou a cumprimentá-la. E, alguns dias depois, teve ocasião de se fazer notar ajudando-a a recolher alguns livros desbarrancados. Por fim, um lugar desocupado lhes permitiu sentar juntos e conversar
Gorriti acelerou e lhe fez conhecer suas destrezas de beija-flor aficionado. Não andava mal. A morena conhecia o jogo e colaborava com revides adequados.
No entanto os demônios decidiram intervir. Saindo de Haedo, a moça tentou abrir a janela e não pôde. Com um gesto mundano, Gorriti pediu licença.
- Por favor...
Se segurou da manivela, puxou pra cima com toda a sua força e soltou um sonoro pum estrondoso, irreparável. Sem dizer palavra, saiu pelo corredor e desertou do trem de Moron. Desde esse dia, começou a tomar o trem das 14h10min.




HISTÓRIA DO QUE PADECIA OS DOIS MALES
Na Rua Caracas morava um homem que amava uma loira. Mas ela o desprezava por inteiro. Umas quadras mais pra baixo duas morenas morriam de amor pelo homem e se ofereciam ante sua porta. Ele as rejeitava honestamente. O amor depara duas máximas adversidades de oposto signo: amar quem não nos ama e ser amado por quem não nos é possível amar.
O homem da Rua Caracas padeceu ambas as desgraças ao mesmo tempo e morreu uma manhã frente ao pranto das morenas e a indiferença da loira.



HISTÓRIA DE QUEM NÃO PODIA ESQUECER


O russo Salzman teve muitas namoradas. E a dizer verdade, costumava deixá-las depois de pouco tempo. No entanto, jamais se esquecia delas. Todas as noites seus antigos amores se lhe apareciam por turno em forma de pesadelos. E Salzman chorava pela ausência delas.
A primeira namorada, a quitandeira de Burzaco, a ruiva de Vila Luro, a inglesa de La Lucila, a arquiteta de Palermo, a costureira de Cidadela. E também as namoradas que nunca teve: a que não o amou, a que viu uma só vez no porto, a que lhe vendeu um par de sapatos, a que desapareceu num corredor antes de se cruzar com ele. Depois Salzman chorava pelas namoradas futuras que ainda não haviam chegado.
Os homens sábios não caçoavam do russo pois compreendiam que estava possuído pela mais sagrada birra cósmica: o homem queria viver todas as vidas e estava condenado a transitar somente por uma. Aprendam a sonhar os que se contentam com ganhar na loteria...
A RUA DAS NAMORADAS PERDIDAS.
Há uma rua em Flores na que moram todas as namoradas abandonadas. Ao entardecer saem à calçada e olham ansiosas em direção às esquinas para ver se voltam os namorados que se foram.
Às vezes conversam entre elas e rememoram velhos passeios pelo Roseiral. Pelas noites se recluem para ler cartas velhas que guardam em caixinhas primorosas ou admirar fotografias amareladas.
Aos domingos vestem vestidos floridos e pintam os lábios. Algumas escrevem diários íntimos com letra caprichada.
Dizem que não é possível encontrar essa rua. Mas se sabe que algum dia desembocará na esquina o batalhão de namorados vencedores da morte para resgatar as namoradas perdidas e levá-las a passear pelo Roseiral. Isto será dentro de muito tempo, quando adocique suas cordas o pássaro cantor.
Existem por aí infinidade de pessoas confiáveis que juram que o amor é possível em todos os bairros. Não discutiremos semelhante tese. Mas quem tiver que viver paixões loucas, é melhor que não perca o tempo em rumos errados.
Uma história terrível o está esperando em Flores.

9 sept 2009

Niños, libros y lecturas

Alejandro Dolina  

 

Crianças, livros e leituras 


As novelas do século XIX sobre o Império Romano se esforçam em reconstruir a época dos Césares e apenas conseguem revelar as preferências e gostos do século XIX. Acontece que os cônsules, os senadores e os imperadores não podem dissimular o sotaque das tertúlias parisienses, por muito que se esforce o escritor. Isto não deve ser apontado como uma recriminação senão mais bem como uma fatalidade que convém saber antes da leitura.
Algo parecido acontece com os livros para crianças. Escritos a partir de um mundo diferente, costumam narrar histórias que soam falsas, protagonizadas por seres distantes e incompreensíveis. Frente à sua própria criação, os autores costumam afetar uma espécie de perplexa benevolência, a mesma que se usa na descrição dos hábitos dos selvagens.
Alguém poderá dizer que o mais conveniente é que os romanos escrevam sobre o império, e as crianças sobre a infância. Objeção: os romanos já não escrevem, e as crianças não o fazem ainda. De uns e de outros nos afasta o tempo.
Pode-se aduzir que enquanto nenhum escritor atual foi cidadão do Império, quase todos foram crianças. No entanto, um complicado abismo de esquecimentos e falsas lembranças parecem nos afastar das emoções infantis. Os literatos que se fingem crianças não conseguem enganar ninguém.
Na verdade, não é possível nem sequer saber com certeza se as crianças desfrutam dos livros que lhes preparam.
Com muita cautela, me atreveria a apostar que não. Evocações que por acaso invento agora, me remetem às histórias de terror, às investigações de Mister Reeder, o Padre Brown e o poema A Margarita Dabayle, criações todas que tão pouco têm de infantil.
Parece-me recordar também que aos meus quatro ou cinco anos escutava com mais prazer “A Taça do Esquecimento” ou “Minha Noite Triste” do que as relaxantes bobagens sobre Teresinhas apaixonadas.
Assim, menos em forma de teoria do que de suspeita, postulo que um livro que diverte crianças deve ser capaz de divertir um adulto. Claro, a admiração não serve na ordem inversa: toda obra precisa de uma informação prévia por parte do leitor para ser compreendida. O conto “O Imortal” de Jorge Luis Borges seria incompreensível – ou insosso – para quem desconhecesse a existência de Homero.
A medição de um hexâmetro exige saber latim. Pressinto, no entanto, que milhares de contos e novelas podem ser lidos sem pena pelas crianças e sem tédio pelos mais velhos. Os exemplos são tão contundentes que me deixam encabulado: A Ilha do Tesouro, os contos de Oscar Wilde, as Mil e uma Noites, as maravilhas e horrores da mitologia clássica.
Frente a estas obras, os coloridos volumes das coleções infantis se apresentam bastante insossos.
Às vezes intuo que muitos destes textos são estragados pela intenção edificante. Alguém me disse uma vez que na verdade acontece ao contrário: a torpeza literária desacredita a moral da história.
Manuel Mandeb, o polígrafo de Flores, sentia horror pelas novelas protagonizadas por crianças. Sustentava que seus comportamentos eram pouco racionais ou, o que é pior, pouco artísticos. Recomendava atribuir às pequenas personagens a maior seriedade, pois entendia que as crianças são em geral sérias e detestavam a velhacaria.
Mandeb acreditava que o amor às crianças era uma virtude literária capaz de redimir qualquer defeito.
- O esforço carinhoso comove as crianças mesmo que elas não confessem – dizia.
Acho que o homem de Flores adivinhou uma grande verdade.
Quando era criança, eu sentia uma emoção deliciosamente triste frente aos carrosséis, os circos e os caleidoscópios. Não gostava, não me divertiam. Mas me faziam sentir uma imensa piedade por aquelas pessoas, mais inocentes do que eu, que tentavam me agradar com o modesto engenho. Dentre meus brinquedos infantis, lembro de uma cimitarra de madeira que meu pai me trouxe. Meus jogos não incluíam as gestas sarracenas, de modo que não pude lhe tirar maior proveito. Mas ali estava o amor daquele homem que talvez não me compreendesse.
Por isso acredito no critério de Mandeb. O amor de um poeta pode ser mais eficaz do que um bom argumento.
Mais tarde reconheci aqueles sentimentos da infância ao receber algum presente humilde demais.
Nos anos dourados, um grupo de mestres melancólicos do bairro do Anjo Cinzento preparou um livro de leitura escolar diferente de todos.
Seu título foi “Desilusões Precoces”
Contava com textos de Manuel Mandeb e Jorge Allen, a professora Etelia C de Doth e alguns escuros literatos do bairro. Também se procurou fazer crer que escreviam algumas crianças, coisa que ninguém chegou a admitir jamais.
Muitos educadores disseram que "Desenganos Precoces" carecia de propósitos formadores. Nada mais falso. Em muitas de suas páginas se promove a admiração de certas condutas. Acontece – isso sim – que tais condutas são precisamente aquelas que repudiam os livros infantis convencionais. Enaltece-se a ausência a aulas, se denigra a aplicação, duvida-se da higiene e se festejam as desordens.
Há contos, poesias, notas e canções, entre as que surpreende encontrar a mi longa “Cobre e me dê o Troco”
Vamos transcrever alguns textos.




Os Deveres de Pedro.
Pedro se senta nas últimas cadeiras da sala de aula, como corresponde a uma criança que desdenha a educação e a vizinhança dos poderosos. As conspirações e as badernas nunca o encontram alheio. Busca o risco das transgressões e a companhia dos mais beligerantes. Às vezes se sente tentado pelo estudo e a inteligência. Então, como quem aceita um desafio, como uma malandragem, resolve difíceis problemas de regra três e realiza dos ditados sem tropeçar.
Um dia a professora lhe acaricia o cabelo com ternura. Ele pensa:
- Ah, 'sora... se soubesse como gostaria de lhe presentear uma flor e lhe dar um beijo.
Mas Pedro sabe quem é e conhece seu dever e seu destino. Com um passe se afasta do afeto inoportuno e vai buscar a glória lá nos fundos, onde os malandros se empenham atirando os tinteiros para que se cumpra melhor o divino propósito do Universo.
Exemplo (poesia)
Os sábios nos disseram
que continuemos a sombra dos teus passos.
E foi tua destreza
a vergonha de nossas lentidões.
Os signos que guardavam
o efêmero quadro em sua negrura
a ti não te negaram
revelações e sabedorias.
Os Seres que Vigiam
souberam por ti de nossas infâmias
e encontraste recompensa
na noticia do castigo alheio.
Ah, branco paradigma,
luminoso, implacável companheiro:
hoje novamente postulou-se
tua sorte como exemplo.
O numeroso pátio
teu sangue desenhado viu no chão
e a direção dos meus golpes
seguiu a branca popa do teu medo.
Assim souberam todos
depois da tua caída no recreio,
a sova que promete meu punho
aos traidores do colégio.




As crianças precoces (por Manuel Mandeb)
Algumas crianças dão frutos precoces, não nego.
Seus pais se orgulham e os exibem entre seus familiares e conhecidos, quando não no cinema e televisão.
Atrevo-me a pensar – no entanto – que não toda precocidade é auspiciosa. Comecemos por dizer que existem adultos bondosos, agudos valentes ou geniais. E também os há medíocres, hipócritas, pomposos e canalhas. A criança precoce recebe a visita antecipada de certos aspectos da madurez. Alguns tocam o piano como peritos profissionais, outros aprendem línguas, desenham ou possuem a ciência.
Mas há crianças cuja precocidade consiste em adquirir antes de tempo o tom vazio e protocolar das conversas de sala de espera, e aprendem aos seis anos a filosofia dos bobos insatisfeitos.
“Assim anda o mundo, Dona Joana...” “O que se ganha discutindo, Seu José...” “Falando as pessoas se entendem, Carlitos...”
Também repetem a linguagem das revistas e fazem suas as respostas das reportagens mais vulgares.
Por certo, muita gente acredita que essa é a sabedoria, e eu digo que mais sábios são os meninos incultos que observam com repugnância os diálogos dos parentes bem-educados.
Tomara que surjam muitas crianças prodígio que se apropriem do gênio com impaciência. Mas para ser um tolo, acho que não há pressa.




O menino que foi a menos
A senhorita Cláudia pergunta a Ferro:
- Quem fundou a cidade de Assunção?
Ferro o ignora e o confessa. A professora tenta por outros rumos.
- Tissot
- Não sei ‘sora
- Rossi.
Silêncio. O ambiente fica pesado porque talvez a professora Claudia ensinou aquilo no dia anterior.
– Maldonado.
Nada… Claudia enruga o cenho e ensaia uns reproches gerais. Frezza, o italiano Frezza, sabe a resposta de algum modo misterioso. É estranho o caminho que seguem as idéias: costumam se alojar onde menos se espera
- Nuñez. Lopez. Dall’Asta.
Também não Frezza espera, presumido, sem levantar a mão. Coisa de bajulador, pensa. A professora Claudia se dirige às meninas e pronuncia o nome amado. Frezza está muito longe para bater para a morena que o enlouquece, que não pôde responder. De repente a professora o olha
– Frezza.
O menino titubeia pois talvez precise da nota, se levanta, olha para mesa da morena e diz, quase triunfal:
- Não sei.
Se é que ninguém sabe, está bem não saber. Frezza se senta e escuta então como uma horrível blasfêmia, a voz de Campos, injuriosa:
- Juan de Salazar!
Passaram os anos. A morena não conheceu o amor de Frezza nem tampouco seu gesto elegante e generoso. Se alguém qualifica essas lições num Boletim Celeste, Frezza tirará um nove. E se nem sequer existe esse Boletim, então tirará um dez.




Uma Briga 
Empurraram-me à saída. Houve um tumulto branco e depois de uma rápida investigação fiquei frente a frente com Carlos
– Tá empurrando por quê???
Formou-se uma roda. Alguém gritou:
- Dá uma surra nele...
Meninas aterrorizadas se somaram ao grupo. Carlos ficou vermelho. Mãos cruéis o empurraram em minha direção. Tito, falso caudilho e sujeito temido, me disse
– Vai... ou você está com medo?
Então lhe ajeitei um soco na cara e agora já sei que sou um covarde.
Desilusões Precoces não foi aprovado pelas autoridades escolares.
Pode-se afirmar que poucos meninos o leram.
No entanto, como se alguém lhes ensinasse preceitos secretos, ainda hoje, no tempo dos Refutadores de Lendas, há crianças que continuam sentando nas últimas mesas e também homens que longe já da escola, se afastam das vantagens e das oportunidades fáceis.
A esses, aos dos Fundos, aos que podendo se sentarem na primeira mesa a rejeitam, os que não figuram como exemplos nos livros de leitura, os espíritos lunares, aos alunos de coragem e honra que – pressinto – não leem obras como esta, a todos eles – tardiamente – os abraço agora, quando já não me sinto impedido pelas mesquinhezas que carreguei na minha infância


8 sept 2009

Seu Corpo

Composição: Roberto Carlos
Intérprete: Maria Bethânia



Tu Cuerpo
En tu cuerpo es donde encuentro
después del amor, el descanso
y esa paz infinita
En tu cuerpo, mis manos
se deslizan y se afirman
en una curva más bonita
En tu cuerpo mi momento
es más perfecto
y yo siento en tu pecho
mi corazón latir
En el medio de ese abrazo
yo me amaso
y me entrego a ti.
Y continúa el viaje
en medio de ese paisaje
donde todo me facina
y me dejo ser llevado
por un camino encantado
que la naturaleza me enseña.
Y aunque yo conozca bien
tus caminos
me envuelvo y soy tragado
por tus cariños
Y sólo me encuentro
si me pierdo
en tu cuerpo.