25 abr. 2009

No me llames extranjero

Rafael Amor



Não me chames de estrangeiro

Não me chames estrangeiro, porque nasci longe,
Ou porque tenha outro nome a terra de onde venho
Não me chames estrangeiro, porque foi diferente o seio
Ou porque ninou minha infância outro idioma de contos-de-fada
Não me chames estrangeiro se no amor de uma mãe
Tivemos a mesma luz no canto e no beijo,
Com que nos sonham iguais as mães junto ao seu peito.

Não me chames de estrangeiro, nem penses de onde eu venho
Melhor sabermos aonde vamos, onde nos leva o tempo,
Não me chames de estrangeiro, porque teu pão e teu fogo
Acalmam minha fome e frio, e me cobre teu teto,
Não me chames de estrangeiro, teu trigo é como meu trigo
Tua mão é como a minha, teu fogo como meu fogo,
E a fome não avisa nunca, vive mudando de dono.
E me chamas estrangeiro porque me trouxe um caminho,
Porque nasci em outro povo, porque conheço outros mares,
E zarpei um dia de outro porto, se sempre ficam iguais
No adeus os lenços, as pupilas nubladas dos que deixamos
Longe, os amigos que nos lembram e são iguais os beijos
E o amor da que sonha com o dia do retorno.

Não me chames estrangeiro, trazemos o mesmo grito
E o mesmo cansaço velho que vem arrastando o homem
Desde o principio dos tempos, quando não existiam fronteiras,
Antes de que viessem eles, os que dividem e matam,
Os que roubam, os que mentem, os que vendem nossos sonhos,
Os que inventaram um dia, essa palavra: estrangeiro.

Não me chames de estrangeiro, que é uma palavra triste,
Que é uma palavra gelada e cheira a esquecimento e desterro,
Não me chames estrangeiro olha teu filho e o meu
Como correm de mãos dadas até o final do caminho,
Não me chames de estrangeiro, eles não sabem de idiomas
De limites nem bandeira; olhe-os, vão ao céu
Por um riso pássaro que os reúne em vôo.

Não me chames estrangeiro pensa em teu irmão e no meu
O corpo cheio de balas, beijando a morte no chão,
Eles não eram estrangeiros, conheciam-se de sempre
Pela liberdade eterna e igual de livres morreram
Não me chames de estrangeiro, olhe bem nos meus olhos,
Muito além do ódio, do egoísmo e do medo,
E verás que sou um homem, não posso ser estrangeiro.


6 comentarios:

  1. Patrícia! olha o Chico olhando seu blog >>>>>> beijo

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  2. kkkkkkkkkkk ótimo Danielle... gostou?

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  3. Você me disse no seu blog que se admira com tudo que não conhece. Pois sempre que visito seu blog (e faço isso todos os dias, apesar de nem sempre deixar comentários). Pois também me admiro por não conhecer trabalhos tão ricos como este do Rafael Amor. Aliás, não conheço nada dele. Fiz uma pesquisa rápida no Google e vi quantas coisas interessantes ele tem. Patrícia, seu blog tem me apresentado artistas interessantíssimos que, infelizmente, não possuem espaço para mostrar seus trabalhos, aqui, no Brasil. Beijo grande!

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  4. Puxa, Romyna, que bom que o blog está contribuindo.
    Acho que este é o tipo de riqueza que a medida que se distribui, vai ficando cada vez maior.
    Essa música do Rafael Amor eu conhecia de há muito tempo atrás, mas o Stefan me fez relembrar dela e resolvi postar aqui.
    Obrigada pelo carinho, Romyna.

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  5. Paty, só não consegui identificar em que país o Rafael Amor nasceu. Queria saber.

    Beijos!

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  6. Ele é argentino, Romyna. Deixo aqui o link da página oficial dele (ainda nao descobri como deixar links no post... contaeeee rsrsrrs)

    http://www.rafaelamor.com/

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