14 oct. 2009

Mercedes Sosa II

 



Continuando a homenagear a Negra, sempre à busca de novas formas de arte. Sempre disposta a reconhecer novos artistas, e a recriar versões de músicas engajadas.





Si Se Calla El Cantor
Horacio Guarany

Se o cantor se calar

Se o cantor se calar, se calará a vida
Porque a vida, a vida é inteira uma canção
Se o cantor se calar, morre de espanto
A esperança, a luz e a alegria
Se o cantor se calar ficarão sozinhos
Os humildes pardais dos jornais,
Os operários do porto se persignam
Quem haverá de lutar por seu salário

RECITADO
O que há de ser da vida se o que canta
Não levanta a sua voz nas tribunas
Pelo que sofre, por quem não há
nenhuma razão que o condene a andar sem coberta

Se o cantor se calar morre a rosa
De que serve a rosa sem a canção.
Deve a canção ser luz sobre os campos
Iluminando sempre os de baixo.
Que não cale o cantor porque o silêncio
Covarde encobre a maldade que oprime,
Não sabem os cantores inclinados
Não calarão jamais de frente ao crime

RECITADO
Que se levantem todas as bandeiras
Quando o cantor se obstine com seu grito
Que mil violões dessangrem na noite
Uma imortal canção ao infinito

Se o cantor se calar... cala a vida.





Soy Pan, Soy Paz, Soy Más
Piero
http://www.youtube.com/watch?v=ikUdtMkZkCQ
Sou Pao, Sou Paz, Sou Mais 


Sou água, praia, céu, casa, planta,
Sou mar, Atlântico, vento e América,
Sou um monte de coisas santas
Misturadas com coisas humanas
Como te explico... coisas mundanas.

Fui criança, berço, peito, teto, coberta,
Mais medo, cuca, grito, pranto, raça,
Depois misturaram as palavras
Ou se escapavam os olhares
Algo aconteceu... não entendi nada.

Vamos, diga-me, conte-me

Tudo o que está te acontecendo agora,
Porque senão quando estiver a alma sozinha chora
Temos que tirar tudo pra fora, como a primavera
Ninguém quer que por dentro algo morra
Falar nos olhando nos olhos
Tirar o que for possível pra fora
Para que dentro nasçam coisas novas.

Sou pão, sou paz, sou mais, sou o que está por aqui
Não quero mais do que me puderes dar,
Hoje te é dado, hoje te é tirado
Igual que com a margarida... igual ao mar,
Igual à vida, à vida, à vida, à vida...

Vamos, diga-me, conte-me
Tudo o que está te acontecendo agora,
Porque senão quando estiver a alma sozinha chora
Há que tirar tudo pra fora, como a primavera
Ninguém quer que por dentro algo morra
Falar nos olhando nos olhos
Tirar o que for possível pra fora
Para que dentro nasçam coisas novas.


Todavía Cantamos
Víctor Heredia
 http://www.youtube.com/watch?v=LaWkEZHzukE
Ainda Cantamos

Nós ainda cantamos, ainda pedimos
Ainda sonhamos, ainda esperamos.
Apesar dos golpes que nos deu na nossa vida,
O engenho do ódio, desterrando ao esquecimento
Os nossos seres queridos.

Ainda cantamos, ainda pedimos,
Ainda sonhamos, ainda esperamos.
Que nos digam onde esconderam as flores
Que perfumaram as ruas perseguindo um destino.
Onde, onde foram.

Ainda cantamos, ainda pedimos,
Ainda sonhamos, ainda esperamos.
Que nos dêem a esperança de saber que é possível
Que o jardim se ilumine com os risos e o canto
Dos que amamos tanto.

Ainda cantamos, ainda pedimos,
Ainda sonhamos, ainda esperamos.
Por um dia diferente sem instâncias nem jejuns
Sem temor e sem pranto e por que voltem ao ninho
Nossos seres queridos.

Ainda cantamos, ainda pedimos
Ainda sonhamos, ainda... esperamos.


Todo Cambia
Julio Numhauser


Tudo muda

Muda o superficial
Muda também o profundo
Muda o modo de pensar
Muda tudo neste mundo
Muda o clima com os anos
Muda o pastor seu rebanho
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho


Muda o mais fino brilhante
De mão em mão o seu brilho
Muda o ninho o passarinho
Muda o sentir o amante

Muda o rumo o caminhante
Mesmo que lhe cause feridas
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho

Muda, tudo muda
Muda, tudo muda
Muda, tudo muda
Muda, tudo muda

Muda o sol em sua carreira
Quando a noite subsiste
Muda a planta e se veste
De verde na primavera

Muda a pele a fera
Muda o cabelo o ancião
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho

Mas não muda meu amor
Por mais longe que eu esteja
Nem a lembrança nem a dor
Do meu povo e minha gente

O que mudou ontem
Terá que mudar amanha
Assim como mudo eu
Nesta terra longínqua

Muda, tudo muda
Muda, tudo muda
Muda, tudo muda
Muda, tudo muda

Mas não muda o meu amor...


11 oct. 2009

MERCEDES SOSA I

Nestes dias sofremos uma grande perda na música da América Latina. Morreu Mercedes Sosa, uma lutadora do povo, uma voz saída da terra. Pego emprestadas as palavras do músico Fito Paez para falar sobre a Negra...


“O legado de Mercedes Sosa é de vital importância nestas horas da Argentina, uma lição moral plena de luz.
Com sutileza e precisão desenvolveu uma obra que marcará para sempre a história da música popular deste continente.
Seu desejo de liberdade foi exposto em cada recanto do longo caminho que forjou através de muitas décadas em diferentes discos e cenários do mundo. Desde Matus até Violeta Parra, desde Ramírez até Atahualpa Yupanqui, desde Teresa Parodi até Djavan, desde Peteco Carabajal até Spinetta, desde Félix Luna até Charly García, ela inteira foi, é, uma aula do que deveria ser uma nação. Uma mulher integradora de essências, uma perfumista da música na busca, não do aroma perfeito, mas do aroma de cada lugar.
Sanmartiniana, sem preconceitos por natureza, conseguiu o que nenhum dirigente pôde pôr em funcionamento na história desta terra. Escutou todos, vinculou-se com todos, cantou com todos, nos emocionou a todos. Escutar, vincular, cantar, emocionar. Verbos pouco usuais afastados da vida política. Ela como ninguém, nos dá uma idéia do significado de nação que nos carrega de responsabilidade e obriga a pensar na infelicidade de um país que não pode se realizar em plenitude.
No entanto, sua obra sim consegue. A bravura na escolha dos seus repertórios; os riscos artísticos que assume; o rigor na hora do canto e a clareza de sua voz de veludo; a ausência de medos à tecnologia de mercado; sua segurança temerária na hora da gravação; seus olhos fechados quando interpretava e sua boca de ouro à frente de seu belíssimo cabelo preto sob esse nariz de águia, essa é a sua imagem. Senhora e dona do lugar. Rainha da canção.
Será impossível pensar a Argentina sem suas fundamentais versões de Leguizamón y Castilla, Guarany, a tríade modernista de “La Misa Criolla”, Mulheres Argentinas e a “Cantata Sudamericana”, a volta à democracia do 83 com Gieco, Tarragó Ros, Heredia y García, sua permanente curiosidade pelos autores novos (a quem escutava incansavelmente em seu toca-fitas primeiro, depois no walkman e logo no seu iPod), sua admiração pelo Chango Farías Gomez e Chacho Muller, sua falta absoluta de rivalidade com as demais cantoras do bairro, a quem amava, sua vontade de se abstrair de tudo e sua curiosidade inesgotável sobre o que acontecia no resto do mundo... enfim, sem sua loucura abrangedora e que nos contém.
Morreu a senhora Mercedes Sosa. “A Pachamama”¹a chamavam. Era uma grande verdade, porque protegia e fornecia. Mãe terra e divindade.
Seu olhar, sua presença, nos condena ao encontro e este é um imenso desafio nesta, a hora mais difícil de nossa tremenda perda. Parecem palavras grandes, e são, mas maior ainda será construir um lugar tomando-a como exemplo. Tijolo por tijolo e todos os dias com amor se constrói uma casa. Essa é sua herança. Jamais aceitarei que o lugar de seu velório se chame o dos Passos Perdidos. Em todo caso, será o dos “Passos Ganhados”.

¹ Pachamama: da língua aymara e quechua “pacha”: tierra e “mama”: mãe. Quer dizer: Mãe Terra. É a grande divinidade entre os povos indígenas dos Andes Centrais da América do Sul




Como Un Pájaro Libre
A. Gleijer /D. Reches

http://www.divshare.com/download/8855441-748

Feito um pássaro livre

Feito um pássaro livre, de livre vôo,
Feito um pássaro livre, assim te amo.
9 meses te tive crescendo dentro

E ainda continuas crescendo e descobrindo
Descobrindo e aprendendo a ser um homem
Não há nada na vida que não te surpreenda

Como um pássaro livre...


Cada minuto seu eu vivo e morro
Quando não estás, meu filho, como te espero
Pois o medo, uma larva, me rói e me carcome
Nem bem abro um jornal e busco seu nome

Como um pássaro livre

Morro todos os dias, mas te digo
Não há que andar atrás da vida como um mendigo
O mundo está em ti mesmo, deves mudá-lo
Cada vez o caminho é menos longo

Como um pássaro livre





Cuando Tenga La Tierra
D. Toro / A. Petrocelli



Quando eu Tiver a Terra

Quando eu tiver a terra, semearei as palavras
Que meu pai Martin Fierro pôs ao vento.
Quando eu tenha a terra, tê-la-ão os que lutam
Os professores, os machadeiros, os operários.

Quando eu tiver a terra
Eu te juro semente, que a vida
Será um doce cacho e no mar das uvas
Nosso vinho, cantarei, cantarei.

Quando eu tiver a terra, dar-lhe-ei às estrelas
Astronautas de trigais, lua nova,
Quando eu tenha a terra formarei com os grilos
Uma orquestra onde cantem os que pensam.

Quando eu tiver a terra
Eu te juro semente, que a vida
Será um doce cacho e no mar das uvas
Nosso vinho, cantarei, cantarei.


RECITADO:

Camponês, quando eu tiver a terra
Acontecerá no mundo o coração do meu mundo
Desde atrás de todo o esquecimento secarei com minhas lágrimas
Todo o horror da piedade e por fim te verei
Camponês, camponês, camponês, camponês,
Dono de olhar a noite em que nos deitamos para fazer os filhos
Camponês, quando eu tenha a terra
Por-te-ei a lua no bolso e sairei a passear
Com as árvores e o silencia
E os homens e as mulheres comigo

Cantarei, cantarei, cantarei, cantarei.




Entre a mi Pago sin Golpear
Pablo Raúl Trullenque - Carlos Carabajal

http://www.divshare.com/download/8861080-de5

Entrei na minha terra sem bater

Foi muita a minha tristeza
Andando longe da minha terra
Tanto correr
Pra chegar a lugar nenhum
E estava onde nasci
O que eu procurava por aí.

É ouro a amizade
Que não se compra nem vende
Só se da

Quando no peito se sente
Não é algo que há de se usar
Só quando seja útil.

Assim é como se entregam
Na amizade meus conterrâneos
Suas mãos são
Pão, dados, e chimarrão servido
E a flor da humildade
Costuma seu rancho perfumar

A vida me foi emprestada
E tenho que devolvê-la
Quando o criador
Chamar-me para a entrega
Que meus ossos, pele e sal
Fertilizem meu solo natal.

A lua é um torrão
que ilumina com luz emprestada
Só ao cantor
Que cante quadras da alma
Explode-lhe o coração
O sol que sobe por sua voz

Cantor para cantar
Se nada dizem teus versos,
Ai, para que
Vais calar o silêncio
Se o silêncio é um cantor
Cheio de duendes na voz.

Minha gente é um cantor
Que canta a “chacarera”
Não há de cantar
O que por dentro não sinta
Quando o queira escutar
Entre à minha terra sem bater.

A vida me foi emprestada
E tenho que devolvê-la
Quando o criador
Chamar-me para a entrega
Que meus ossos, pele e sal
Fertilizem meu solo natal.




Guitarra Dímelo Tú
Atahualpa Yupanqui


Violão, diga-me você.

Se eu pergunto ao mundo
O mundo há de me enganar
Se eu pergunto ao mundo
O mundo há de me enganar
Cada um acredita que não muda
E que quem muda são os outros.


E passo as madrugadas
Buscando um raio de luz
Porque a noite é tão longa
Violão, diga-me você

Vira pura mentira
O que foi doce verdade
Vira crua mentira
O que foi doce verdade
E até a terra fecunda
Transforma-se em areal

E passo as madrugadas
Buscando um raio de luz
Porque a noite é tão longa
Violão, diga-me você

Os homens são deuses mortos
De um templo já derrubado
Os homens são deuses mortos
De um templo já derrubado
Nem seus sonhos se salvaram
Só uma sombra que vai

E passo as madrugadas
Buscando um raio de luz
Porque a noite é tão longa
Violão, diga-me você





Honrar La Vida
Eladia Blazquez






Honrar a vida

Não! Permanecer e transcorrer
Não é perdurar, não é existir
Nem honrar a vida!
Há tantas maneiras de não ser
Tanta consciência sem saber
Adormecida...
Merecer a vida não é calar e consentir
Tantas injustiças repetidas...
É uma virtude, é dignidade
E é a atitude de identidade
Mais definida!

Isso de durar e transcorrer
Não nos dá direito a presumir
Porque não é o mesmo que viver,
Honrar a vida!

Não! Permanecer e transcorrer
Não sempre quer sugerir
Honrar a vida!
Há tanta pequena vaidade
Em nossa boba humanidade
Cegada.
Merecer a vida é erguer-se vertical
Além do mal, das caídas...
É igual que dar à verdade
E à nossa própria liberdade
As boas-vindas!
Isso de durar e transcorrer
Não dos dá direito a presumir
Porque não é o mesmo que viver,
Honrar a vida!






Numa entrevista concedida à revista “La bicicleta” em 1984, Silvio Rodriguez veio esclarecer tudo ao ser perguntado sobre o significado de “La Maza”:

- “La maza” é um pouco a razão de ser artista, de seu compromisso, que não se deixa seduzir pelos artifícios e superficialidades que costumam acompanhar algumas manifestações cênicas...

- A pedreira é o povo?

- A pedreira é de onde se extraem os cantos, o maço é com que se golpeia. Se não houvesse uma pedreira de onde extrair um produto, algo, para que serviria o maço?

- Quer dizer que extrai seu canto das experiências do povo ou senão, poderia ser que o maço é o que molda o mármore, isto é: que o cantor molda a consciência do povo...

- Não tinha pensado nisso. É ao contrário, aquilo que você disse primeiro.


La Maza
Silvio Rodríguez




O Maço

Se eu não acreditasse na loucura
Da garganta do rouxinol,
Se não acreditasse que no morro
Esconde-se o gorjeio e o pavor...

Se eu não acreditasse na balança,
Na razão do equilíbrio,
Se não acreditasse no delírio

Se não acreditasse na esperança...

Se não acreditasse no que adquiro,
Se não acreditasse no meu caminho,
Se não acreditasse no meu som,
Se não acreditasse no meu silêncio...

O que seria? O que seria do maço sem pedreira?
Uma massa disforme feita de cordas e tendões,
Uma mistura de carne com madeira
Um instrumento sem melhores pretensões
Que pequenas luzes armadas no cenário...
O que seria, coração, o que seria?
O que seria o maço sem pedreira?
Um testa-de-ferro do traidor dos aplausos
Um servidor do passado em taça nova,
Um eternizador de deuses do ocaso
Júbilo fervido com panos e lantejoulas...
O que seria, coração, o que seria?
O que seria do maço sem pedreira?

Se eu não acreditasse no mais duro
Se não acreditasse no desejo,
Se não acreditasse no que creio,
Se não acreditasse em algo puro...

Se não acreditasse em cada ferida,
Se não acreditasse no que ronde,
Se não acreditasse no que esconde
Fazer-se irmão da vida...

Se não acreditasse em quem me escuta,
Se não acreditasse no que dói,
Se não acreditasse no que reste,
Se não acreditasse no que luta...

O que seria? O que seria o maço sem pedreira?
Uma massa disforme feita de cordas e tendões,
Uma mistura de carne com madeira
Um instrumento sem melhores pretensões
Que pequenas luzes armadas no cenário...
O que seria, coração, o que seria?
O que seria o maço sem pedreira?
Um testa-de-ferro do traidor dos aplausos
Um servidor do passado em taça nova,
Um eternizador de deuses do ocaso
Júbilo fervido com panos e lantejoulas...
O que seria, coração, o que seria?
O que seria do maço sem pedreira?
O que seria, coração, o que seria?
O que seria do maço sem pedreira?





Razón de Vivir
Víctor Heredia




Razão de viver

Para decidir se continuo pondo
Este sangue na terra
Este coração que bate sua pele
Sol e escuridão.


Para continuar caminhando ao sol
Por estes desertos
Para enfatizar que estou vivo
No meio de tantos mortos;

Para decidir
Para continuar
Para enfatizar e considerar
Só me faz falta que estejas aqui
Com teus olhos claros

Ah, fogueira de amor e guia
Razão de viver minha vida

Para aliviar este duro peso
De nossos dias
Esta solidão que levamos todos
Ilhas perdidas

Para descartar esta sensação
De perder tudo
Para analisar por onde seguir
E escolher o modo.

Para aliviar
Para descartar
Para analisar e considerar
Só me faz falta que estejas aqui
Com teus olhos claros

Ah, fogueira de amor e guia
Razão de viver minha vida

Para combinar o belo e a luz
Sem perder distância
Para estar contigo sem perder o anjo
Da nostalgia

Para descobrir que a vida vai
Sem nos pedir nada
E considerar que tudo é belo
E não custa nada

Para combinar
Para estar contigo
Para descobrir e considerar
Só me faz falta que estejas aqui
Com teus olhos claros

Ah, fogueira de amor e guia
Razão de viver minha vida




6 oct. 2009

Escola de Samba Mangueira, Estaçao Primeira - PARTE I


Fundación de la Escola de Samba Mangueira



Estaçao Primeira da Mangueira

Después de la Declaración de la República, con la salida de la familia imperial de Brasil, la Finca de Boa Vista, jardín del emperador, se tornó un matorral abandonado, siendo poco a poco invadido por la población errante, que por ahí iba construyendo sus casas. Por acoger, en la misma área, el cuartel del 9º Regimiento de Caballería, ahí también vivían varias familias de soldados.

En 1908, el intendente de Rio, Serzedelo Correia, resolvió demoler las chozas y expulsar los invasores. Los soldados expulsos junto con los demás residentes, solicitaron al comandante del Regimiento la autorización para llevar el material desechado e, con él, levantar nuevas residencias en otro lugar. Atendido el pedido, el lugar escogido por los emigrantes fue el lado casi vacío del cerro de la Mangueira, propiedad del portugués Francisco de Paula Negreiros Saião Lobato, el Visconde de Niterói, que recibió esas tierras de regalo del emperador. El primer residente del cerro fue el cabo Cândido Tomás da Silva, el Maestro Candinho.

En 1916, llegaron otras familias de ex esclavos, transferidos del Cerro de Santo Antônio que había tenido un incendio. Cuando llegaron, ya encontraron chozas para alquilar, construidas por otro portugués, Tomás Martins, arrendatario de las tierras del Visconde. Quien iba mensualmente a las chozas a cobrar alquileres era el ahijado de Tomás, un muchacho de 14 años, que nació allí el 3 de agosto de 1902. Ese adolecente, quien ya ejercía la tarea desde los 8 años de edad, era Carlos Moreira de Castro, quien fue conocido como Carlos Cachaça.


Fuente: Sitio Oficial de la Escola de Samba Mangueira



Piano da Mangueira

Cuando la Manguera, en 1992, lo eligió como tema, en un homenaje sincero, verdadero y merecido, el maestro Tom Jobim preguntó qué es lo que la Escola pediría a cambio: shows en la sede, un samba-enredo, qué querían… la Estación Primera, como legítima representante del samba nacional, no pidió absolutamente nada.
- Pero ¿ni la obligación de desfilar? Preguntó Tom
- No quieren nada, apenas la autorización para usar su história, por lo demás, que esté usted a gusto.

Tom quedó tan feliz que no sólo desfiló, como también hizo el samba “Piano de la Mangueira” y obligó a Chico Buarque a ponerle letra. Todo en retribución al regalo recibido de la Escola al final de su vida. La Mangueira no fue campeona, pero proporcionó un encuentro del pueblo con la historia de su compositor más refinado.





Reportaje sobre “Piano na Mangueira”

Chico – Porque Tom era terco con el tema de la letra, y yo tenía que discutir y tenía que convencerlo, porque nunca me doblegó – sólo que entonces yo tenía la certeza de lo que quería, entiendes, él bromeaba mucho y tenía essa característica suya…

Luiz Roberto – “Monday, tuesday, wednesday”... ¿Ocurrió así?

Chico – Eso es…

Luiz Roberto – “MANdé subir”...

Chico – Sí, y entonces yo ganaba la discusión, pero él tenía algo de terquedad de niño y después más tarde, era capaz de grabar “Man subir el piano a Mangueira” él mismo…

Luiz Roberto – Él mismo lo adaptó...

Chico – Pero en la época él cantaba la música “Ya MANdé….” y bromeaba “Monday, tuesdey, Wednesday…” etc. Me sentí tocado y dije lo siguiente: - Eh, Tom, es “ya MANdé” porque el piano está subiendo el cerro acarreado con cuerdas, está yendo todo torcido, se va a desarmar y tiene que tener esa sílaba tónica en el lugar equivocado: “ya MANdé subir”… y él parecía estar de acuerdo “Y no es que tienes razón…”, y más adelante, grabando, candaba realmente “MANdé subir el piano”… y con esa música aún hay varias historias más: él hizo la música, mandó la música, yo hice la letra respetando cada nota, respetando cada movimiento, buscando ser lo más fiel y preciso posible y lo más irretocable. Algunas veces ocurrió, inclusio con “Piano na Mangueira”, que cuando terminaba la letra, él la oía, a veces hacía alguna broma, pero yo me quedaba serio, listo para sostener mi punto de vista y qué hacía él? Cambiaba la música! Después de estar lista la letra, habiendo yo hecho la letra exactamente para la música tal como ella era.

Luiz Roberto – En la métrica precisa de la música…

Chico – Y entonces cambiaba la música respetando la letra. Yo me quedaba un poco así… molesto y pensaba: “Me dio tanto trabajo hacer la letra para esa música y va él y hace otra música con mi letra”. Con “Piano na Mangueira” ocurrió así – hay un tramo (de melodía) al final que él cambió, no existía ni en la música ni en la letra que yo hice.

Luiz Roberto – ¿Ah, sí?

Chico – No había ese pedazo “donde la muchacha cuelga la falda al amanecer del miércoles…”. Él hizo esa parte después…

Luiz Roberto – Y esa frase aguda, del final (“al amanecer del miércoles…”), ¿no habrá sido hecha para dar un cierto climax, una resolución a la melodía?

Chico – Sí… pero ¡él musicalizó la letra! Yo tenía certeza de haber hecho la letra correcta para su música, y él dio la vuelta, en realidad

Luiz Roberto – Y terminó quedando “MANdé subir el piano a Mangueira”

Chico – “Mi Piano” fue otra cosa que discutí con él: - “Eh, Tom, es “el piano…”. Dicho sea de paso, yo traía la letra lista y entonces, él cantando como si se estuviera equivocando, cambiaba la letra. “Mandé subir mi piano a…” y estaba escrito “el piano a…”. Yo pensaba, bueno… leyó mal, ahora lo va a cantar bien, y le decía: - Tom no es “mi piano” es “el piano”, algo menos personal… y él decía “Ah, cierto” y enseguida cantaba “mi piano”… y yo le decía: - Es bonito “el piano” sin ser “mío”, porque en francés, donde todo es posesivo (y tengo esa experiencia ahora que estoy traduciendo un libro), tiene que ser “mi piano” o “su piano”, piano de él o de ella. Recuerdo haber comentado eso con Tom, es bonito en idioma portugués “ya mandé subir el piano…”

Entrevista a Luiz Roberto de Oliveira, en Home Page de Tom Jobim





Piano na Mangueira 

Tom Jobim - Chico Buarque/1993



Piano en la Mangueira




Mangueira
Estoy aquí en la plataforma
De la Estación Primera
El cerro me vino a llamar
De traje blanco y sombrero de paja
Me voy a presentar a mi nueva pareja

Ya hice subir el piano a la Mangueira.

Mi música no levanta polvo
Pero puede entrar en la choza
Donde la muchacha cuelga la falda
Al amanecer del miércoles
Mangueira
Estación Primeira de Mangueira

De traje blanco y sombrero de paja
Me voy a presentar a la majestuosa compañera
Já hice subir el piano a la Mangueira

Mi música no levanta polvo
Pero puede entrar en la choza
Donde la muchacha cuelga la falda
Al amanecer del miércoles
Mangueira
Estación Primeira de Mangueira






Análisis de Estação Derradeira

“Estação Derradeira” es una música enteramente hecha de referencias a la ciudad de Rio de Janeiro. Es una gran referencia a sus laderas, márgenes, violencia, San Sebastián, su escola de samba más famosa…
Rio de Janeiro actualmente es conocido por su alto índice de violencia. Chico lo evidencia en algunas partes de la música, como por ejemplo: “a su manera con ladrón”, “fronteras, munición pesada” y “San Sebastián cribado”. En “cada orilla es una nación” el compositor muestra ls divisiones de la propia ciudad. Todo es dividido. Existen varios “otros Rios” dentro del propio Rio. La eterna guerra entre la policía y los traficantes gana su referencia en “munición pesada”. Siempre muy bien armados, los traficantes enfrentan a la policía y continúan dominando los cerros. Esa “guerra” se agravó cuando, hace unos años, el ejército tuvo que interferir. Autos blindados militares circulaban por las calles de Rio y varios conflicots entre ellos y los traficantes ocurrieron, atemorizando a la población y transformando Rio de Janeiro en un emplazamiento de guerra.
El compositor también hace referencia a su escola de samba preferida, la Mangueira, que ya fue tema de canciones escritas por muchos compositores diferentes; el propio Chico fue tema de un samba-enredo de la Mangueira en el carnaval de 1998 (premiado con el 1º lugar): “Ninguna Escola fue tan cantada como la Mangueira. Mangueirenses o no, todos lo admiten: los mayores compositores de la historia del samba, desde Cartola a Nelson Cavaquinho, vistieron la camisa verde-rosa”. (Mauro Dias, O Estado de S. Paulo – 10 de noviembre de 1997)

Texto de Luara
Unicamp




La música “Estação Derradeira”, de Chico Buarque, es parte del CD Francisco, lanzado en 1987. A partir de mediados de los 80, la música de Chico se va convirtiendo en algo más elaborado y complejo, marcada por un diálogo más decisivo con los trabajos de Tom Jobim. Esta música, de acuerdo a Fernando de Barros e Silva representa “uno de sus más bellos sambas, ve al Rio como una civilización en encrucijada”, donde “cada orilla es una nación” y en la cual “lavanderas, honor y tradición” conviven con “ladrón, fronteras, munición pesada”. En esta ciudad atravesada por señales contradictorias, viven “ciudadanos enteramente locos cargados de razón”.
Chico en una entrevista comenta: “El clima hoy en la ciudad está muy pesado. Por no decir que allá arriba, en la zona sur y hay territorios demarcados. Yo conocí la playa como un espacio democrático. Hoy ya se siente en el aire la idea de que pronto va a existir una frontera entre Ipanema y Leblon



Estación Final
Chico Buarque/1987




Rio de laderas
Civilización encrucijada
Cada orilla es una nación

A su manera
Con ladrón
Lavanderas, honor, tradición
Fronteras, munición pesada

San Sebastián cribado
Nublad mi visión
En la noche de la gran
Hoguera desvariada

Quero ver la Manguera
Estación Final
Quiero oir tu batucada, ay, ay

Rio de ramblas sin orillas
Ciudadanos
Entermente locos
Com muchísima razón

A su manera
De bermudas
Con banderas sin explicación
Carreras de mucha pasión

San Sebastián cribado
Nublad mi visión
En la noche de la gran
Hoguera desvariada

Quero ver la Manguera
Estación Final
Quiero oir tu batucada, ay, ay






Chão de esmeraldas
Chico Buarque - Hermínio Bello de Carvalho/1982


En esta música, Chico Buarque afirma su identidad con la Escola de Samba carioca Estação Primeira da Magueira. Chão de Esmeraldas rinde homenaje  a dos grandes patrimonios del Samba brasileño: Chico Buarque y la Mangueira.


"Respecto a Mangueira, que me fue presentada a inicios de la década de 60, yo ya la poseía corriéndome en las venas, llorando cuando las baianas, pisando un suelo de esmeraldas, rodaban en la avenida como molinetes. Empecé a frecuentar las casas de Cartola, Neuma y Carlos Cachaça y a entender que la vida no es sólo eso que vemos. Mangueira tenía algo más que no cabía en una explicación. Grandeza, hechizo, una bella historia."

Herminio Bello de Carvalho, "Um chao de esmeraldas", disco Chico Buarque da Mangueira, p. 10



Suelo de esmeraldas



Siento estar pisando
Um suelo de esmeraldas
Cuando llevo mi corazón

A la Mangueira
Bajo una lluvia de rosas
Mi sangre borbotea de las venas
Y tiñe uma alfombra
Para que ella baile
Es la realeza de los bailarines
Que se quiere mostrar
Soberbia, garbosa
Mi escola es um molinete a girar
Es verde es rosa
Oh, abre el paso para que passe Mangueira



Hino de Exaltação à Mangueira
Enéas Brites Da Silva / Aloísio Augusto Da Costa
Himno de Homenaje a Mangueira




La Mangueira no murió,ni morirá
Eso no ocurrirá
Tiene su nombre en la Historia
Mangueira tú eres
Un escenario cubierto de gloria


Mangueira tu escenario es una belleza
Que la naturaleza creó
El cerro con sus chozas de zinc
Cuando amanece qué esplendor


Tods te conocen a lo lejos
Por el sonido del tamboril
Y el tronar de tu tambor

Llegó, o, o, o
La Mangueira llegó, o, o

Mangueira tu pasado de glorias
Está grabado en la historia
Es verde y rosa el color de tu bandera
Para mostrar a esta gente
Que el samba es allá en Mangueira

Mangueira tu escenario es una belleza
Que la naturaleza creó
El cerro con sus chozas de zinc
Cuando amanece qué esplendor

Tods te conocen a lo lejos
Por el sonido del tamboril
Y el tronar de tu tambor

Llegó, o, o, o
La Mangueira llegó, o, o



4 oct. 2009

Zamba Para No Morir

Querida Mercedes, querida Negra. Em sua homenagem, pra você que nunca morrerá.


Mercedes Sosa



Zamba para não morrer

 

Romperá a tarde a minha voz

Até o eco de ontem.
Vou ficando sozinho ao final
Morto de sede, cheio de caminhar.
Mas continuo crescendo no sol
Vivo.

Era o tempo velho a flor,
A madeira frutal.
Depois o machado começou a bater,
Ver cair, apenas rodar.
Mas a árvore reverdecerá
Nova.

Ao se queimar no céu a luz do dia
Vou embora.
Com o couro assombrado irei,
Rouco ao gritar que voltarei,
Repartido no ar a cantar
Sempre.


Minha razão não pede piedade,
Dispõe-se a partir
Não me assusta a morte ritual,

Só dormir, ver-me apagar.
Uma história me recordará
Sempre.

Vejo o campo, o fruto, o mel
E esta vontade de amar.
Não pode o esquecimento me vencer
Hoje como ontem, sempre chegar.
No filho pode-se voltar
Novo.