31 jul. 2009

Recuerdos de Infancia / Relembrando a Infância

Colecionadores

Autor: T.

T.es un joven brasileño con el arte de la palabra. Ya oiremos hablar de él, con certeza.


Coleccionistas


Cuando me descubrí de niño, me puse en la cabeza que debería hacer lo que todo niño hace para probar su recién descubierta masculinidad: coleccionar algo. Percibí que todos los amigos de mi hermano mayor realmente lo hacían, y en la ansiedad de querer ser hombre, comencé también a coleccionar. Al principio fue fácil, las bolitas no eran caras y venían de a montón. Eran fáciles de guardar, una lata de chocolate en polvo bastaba. Era un buen jugador, sí, pero después que la llevas a la escuela, acaba perdiendo un poco la gracia: todos los niños entran también en el juego y entonces el brillo del asunto es ofuscado por gente que nunca supo lo que es chantar o puntear. Resolví dejar a un lado las bolitas para coleccionar latas de aluminio. Hacía la rapiña en las fiestas familiares y, después de lavadas, disponía todas las latitas en la estante de mi habitación en orden creciente. Las más valiosas eran las de cerveza gringa, y las de gaseosa sólo tenían gracia cuando la etiqueta era conmemorativa. No tardó en que la manía de coleccionar se esparciera entre mis colegas de curso: al transcurrir la semana, todos revelaban sus posesiones. Los más comportados coleccionaban monedas antiguas y estampillas, otros se arriesgaban con entradas de shows y cine. En cambio los de la pesada llevaban frascos con los más diversos insectos muertos. Había uno que coleccionaba champú de hotel: la madre se la pasaba viajando y él pensaba que ganaba con aquellos pocos mililitros de sustancia coloreada.

Un día, andando en bicicleta por la calle, vi a un señor recolectando cartón y aluminio de las bolsas de basura. Él vendía el material recogido para reciclaje, y a cambio se llevaba unas monedas que no alcanzaban para nada… sabe Dios cuantas bocas tenía que alimentar. Eso me rompió el corazón y decidí deshacerme de mi colección para que pudiera ganar un poco más. Aunque lo hice de buena gana, no podía quedarme sin nada para coleccionar, y fue entonces que conocí los álbumes de figuritas autoadhesivas. Funcionaba así: primero comprabas el álbum en el diariero y después, cuando los padres pasaban dinero, comprabas los sobres con una cierta cantidad de figuritas, y cada una tenía un espacio para ser pegada al álbum. La gracia era completarlo antes que los amigos. La fiebre del álbum se apoderó de todos. Abandonamos los otros ítems para ir, todos los domingos tempranito, a la plaza central a cazar las figuritas que faltaban. Los chicos más pudientes simplemente llenaban los vacíos comprándolas a los vendedores y no vivían la verdadera aventura de todo esto. El furor de ver aquella figurita brillante siendo disputada por todos era reservado a nosotros, los chicos de clase media. La forma más honesta de conseguir la hazaña del álbum completo era en base al trueque. Las tuyas repetidas, a veces, era el tesoro del otro. Algunos más corajudos se arriesgaban a la tapadita: apilaban las figuritas deseadas y cada uno de los apostadores tenía que darlas vuelta para llevárselas a la casa. Los deshonestos (o desesperados) solían lamer la palma de la mano para conseguir dar vuelta más fácil al papel. Cuando eran descubiertos, eran denunciados y rechazados – "aquél de allá es lame mano". El entusiasmo resultó tan bien que empezaron a surgir álbumes con todos los temas posibles: mundiales, dibujos animados, películas.

Después, un poquito más allá de la adolescencia, los afortunados que lograban completar algún álbum aún lo guarda como una reliquia. Pero la verdad es que empiezan a valorizar otra cosa por sobre todo: a la mujer. Algunos disfrutan de un relacionamiento serio, enamorarse, sostener la mano, pagar entrada de cine, intercambiar miradas, reír sin motivos. Otros no maduran tan rápido y quieren continuar coleccionando, sin importar qué. Por eso salen de cacería en las fiestas y se enorgullecen del número de mujeres que coleccionan por noche. El hombre, siendo un bicho civilizado, estará siempre a coleccionar algo, sin importar edad y profesión. Cicatrices, amistades, goles. Ilusiones, casamientos, emociones. Momentos, traiciones, conquistas. Cervezas, derrotas, cuentos perdidos.



La Decadencia de la Bolita

Autor: Alejandro Dolina


Alejandro Dolina é um escritor, poeta e músico argentino. Publicou suas primeiras notas nas revistas "Mengano" e "Humor Registrado". Seu livro "Crónicas del Ángel Gris" é uma série de imagens urbanas entre brincalhonas e melancólicas com importantes toques mágicos. Esse livro foi muito bem recebido especialmente por leitores jovens.

Dolina tem um programa de rádio onde relata a história do mundo, toca piano, canta, improvisa versos e dialoga com seus engenhosos colaboradores. Como compositor, sua obra mais importante foi a ópera "Lo que me costó el amor de Laura", de 1988 e que contou com a participação na gravação e posta em cena de personagens emblemáticas como Joan Manuel Serrat, Mercedes Sosa, Sandro, Les Luthiers, Juan Carlos Baglieto, o escritor Ernesto Sábato e o poeta Horacio Ferrer.



A Decadência da bolinha-de-gude


Fica difícil falar sobre o sumiço do jogo de bolinha sem entrar em espinhosas controvérsias.

Claro que se trata de um assunto complexo e pode ser examinado de acordo a critérios muito diferentes.

As pessoas simples afirmam, simplesmente, que se trata de uma decisão de crianças, arbitrária, inexplicável e – por tanto – indigna de ser discutida.

Os psicólogos e antropólogos, eletrotécnicos e até os contadores acostumam chamar a atenção sobre a influência de outros divertimentos de emoção mais sustentável, como a televisão, a sinuca, o gênius ou as palavras cruzadas.

Os Refutadores de Lendas negam que haja existido jamais um jogo semelhante e opõem com argumentos inexpugnáveis o mito da velha infância romântica.

Por outro lado, os Homens Sensíveis asseguram que o desaparecimento do jogo de bolinha-de-gude é o resultado de uma conjura universal.

Este ponto de vista é muito interessante e vale a pena elucidá-lo. Em sua monografia "Faltam Bolinhas", o pensador do bairro de Flores, Manuel Mandeb, levanta uma interrogante que nos deixa perplexos. Vejamos. "... este jogo parece haver começado a declinar em 1960. Mas pode-se afirmar que nesse momento já havia ao menos cinqüenta anos que se jogava. Nessa época havia vinte milhões de habitantes no país, e não era muito audaz afirmar que, em meio século de auge, o jogo da bolinha havia sido praticado por dez milhões de indivíduos em um ou outro momento de sua vida. Agora então: quantas bolinhas possuía cada criança aficionada em média? Digamos umas cinqüenta. Multipliquemos: cinqüenta por dez milhões são quinhentos milhões de bolinhas. Bom, voltemos ao presente: algum de vocês viu uma bolinha neste último ano? Certamente não. E eu pergunto: onde estão as quinhentas milhões de bolinhas? Quem as têm?

E não me digam que o tempo as destruiu porque o vento e a chuva não são suficientes para destruir uma bolinha...

As pistas foram arrasadas e até pavimentadas, os buracos foram recheados, os jogadores foram tentados por outras disciplinas. Alguém está apagando todo vestígio da passagem das bolinhas por esta terra...

Inspirado, talvez no trabalho de Mandeb, este texto pretende firmar as regras, a técnica e a estratégia das bolinhas. A tarefa não é tão fácil como parece. A favor da campanha desenvolvida pelos Refutadores de Lendas e os Amigos do Esquecimento, quase ninguém se lembra das regras. Por outro lado, todos sabem que em cada quadra havia matizes na interpretação de cada norma lúdica.

Não obstante, depois da publicação desta nota, é provável que algum pequeno número de Moleques Sensíveis comece a jogar, nem que seja a modo de desplante perante o Universo.


I - AS BOLINHAS


Trata-se de pequenas esferas, quase sempre de vidro. Seu diâmetro é variável: as menorzinhas se chamam "piolhos" ou "pininas", as médias são as mais freqüentes e estão também as grandes ou "bolões", que se acostuma usar no jogo do Triângulo.

Anos atrás se podiam reconhecer diferentes tipos de bolinhas. As mais belas eram as "leiteiras". Nelas predominava o branco, sempre misturado com alguma outra cor. Eram semi-opacas, não se podia ver a través delas e a variedade de desenhos e combinações era enorme.

Estavam também as semitransparentes, de cores frias, quase sempre verdes ou azuis. Eram com fundos de garrafa. No interior às vezes se adivinhava um filamento gelatinoso e quase repugnante. Salvo exceções, eram uma porcaria de bolinhas. No entanto, a última geração de crianças jogadoras só conheceu estas bolinhas.

As leiteiras desapareceram misteriosamente. Milhares de pessoas jamais viram uma. As mais recentes são as chamadas "bolinhas japonesas" mais leves que as convencionais, e totalmente inúteis para jogar. Seu aspecto é o de uma esfera transparente com um papelzinho colorido no seu interior.

Toda criança possuía uma bolinha favorita, que era a que usava para jogar. Era chamada de "ponteira". O resto das bolinhas servia para pagar dívidas de jogo. Se por acaso uma onda de azar obrigava o menino a entregar a "ponteira", esta nobre bolinha tinha o valor de quatro ou cinco.

Também pode se citar – como curiosidade – as bolinhas de barro, as de aço e até as de plástico (inevitavelmente ovais). A identidade dos fabricantes de bolinhas é um enigma. Nunca houve marcas, nem embalagens, nem publicidade. Algo muito estranho há por trás de tudo isto...

II - O JOGO DO BURACO E A QUEIMA


Podem participar dois ou mais jogadores. O jogo se desenvolve numa quadra de uns 5 metros de longitude por 2 de largura. A superfície deste terreno tem que ser de terra, uniforme e árida, tal como as quadras de bocha, mas não tão mole.

É de bom gosto que uma pequena árvore se localize em um dos lados. Na verdade, os melhores lugares para instalar quadras de bolinhas são os retângulos de terra que existem nas calçadas de Buenos Aires. Na capital, como se sabe, as calçadas chegam até o meio-fio e os espaços sem lajotas que rodeiam as árvores são insuficientes. Por isso os meninos de província sempre foram mais destros neste jogo.

Há quatro linhas que limitam a quadra e uma que divide em dois, chamada "metade". No centro exato de uma dessas duas metades, está o buraco.

E aqui nos encontramos com outro ponto de discussão. Alguns preferem cavar o buraco com uma tampinha de refrigerante. Outros enterram a bolinha e, depois de extraí-la, alargam a cratera que ela deixa. Os mais inescrupulosos cravam a sola do sapato e giram o pé, obtendo desse modo enormes panelas que desvirtuam o caráter do jogo.

Os jogadores se localizam atrás da linha de saída, que é a linha mais curta mais distante do buraco. Um a um vão lançando suas bolinhas, tentando colocá-las no lugar mais próximo ao citado buraco. Isto é de capital importância, pois depois do tiro de saída, o primeiro em jogar será quem se encontre mais próximo ao buraco. Deste modo, se observamos que o jogador anterior conseguiu se aproximar bem demais, o melhor será não tentar superar essa marca e procurar o lugar mais seguro na quadra.

O objetivo do jogo, devemos esclarecer, é acertar no buraco e impactar as bolinhas contrárias ("queima"). Os jogadores "queimados" vão saindo do jogo e pagando a quem os queimou. Quando fica apenas um, termina a rodada e começa outra.

Cada participante vai evoluindo com sua bolinha conforme certa estratégia. Alguns perseguem sua presa e vão se aproximando cada vez mais, ainda com o risco de oferecer um alvo fácil. Outros buscam sempre os lugares mais afastados e fazem tiros longos (quer dizer "rugem"). Se uma bolinha sai pra fora da quadra deve permanecer no lugar onde ficou para que os outros jogadores atirem se assim desejam. Ao corresponder novamente o turno, o jogador poderá efetuar seu tifo desde qualquer ponto da linha atravessada por sua bolinha ao sair.

III - A BOLINHA E A CANTADA


(...)


IV - COMO EMPUNHAR A BOLINHA


Para realizar o tiro deve-se colocar a mão esquerda levantada sobre os dedos no ponto exato onde estava a bolinha. A mão direita descansará sobre a esquerda e empunhará a bolinha. Os canhotos farão exatamente o contrário.

Há duas formas clássicas de pegar na bolinha: a antiga, desprezada muitas vezes, e a moderna. Na primeira a bolinha se coloca atrás do indicador. Na segunda, atrás do dedo médio, servindo o indicador com guia ou mira. Há algo mais. Alguns moleques trapaceiros acostumam estender a mão para a frente aproximando-se à bolinha do adversário. Esta modalidade é conhecida com o nome de "ganfia" ou "ganhote" e é origem de inumeráveis discussões.

Neste ponto convém esclarecer a existência de outros jogos de bolinha: "o triângulo, o galinho, a tróia, a quarta". Passaremos por alto a complicada explicação das suas regras.


O capim já cresceu sobre as quadras. Os moleques já não têm os joelhos sujos. As calças de medidas infantis não têm bolsos. O pavimento e as lajotas cobrem quase tudo. Mandeb talvez tivesse razão. Existe uma conjura universal para impedir o jogo de bolinha. Alguém tem que se ocupar de indagar as razões desse complô e – se for possível – desbaratá-lo.

Há que encontrar os quinhentos milhões de bolinhas perdidas. Há poucos dias, o autor desta nota tentou achar o frasco onde guardava umas poucas dúzias. Não estava. Também não estava a caixa das tampinhas, o álbum de figurinhas nem o pião nem os carrinhos calibrados com massinha.

Algo errado deve estar acontecendo...



30 jul. 2009

Canción del adiós

Los Nocheros



Canção do Adeus


Digo-te adeus, e por acaso, te amo ainda.
Não sei se te esquecer, mas te digo adeus.
Não sei se me amaste, não sei se eu te amava
ou talvez nos amássemos demais os dois.

Este carinho meu, apaixonado e louco,
eu semeei na alma para te amar a ti.
Não sei se te amei muito, não sei se te amei pouco,
o que eu se é que nunca voltarei a amar assim.

Resta-me teu sorriso gravado na lembrança,
e o coração me diz que não te esquecerei.
Mas ao ficar sozinho, sabendo que te perco,
talvez comece a te amar, como jamais te amei.

Digo-te adeus, e talvez, nesta despedida,
meu mais belo sonho morra dentro de mim.
Mas te digo adeus para a vida inteira,
mesmo que a vida inteira continue pensando em ti.
Continue pensando em ti
Continue pensando em ti...



29 jul. 2009

El Pecado Original

Pablo Milanés



Pecado Original


Duas almas,dois corpos,
dois homens que se amam.
Vão ser expulsos do paraíso
que lhes tocou viver.

Nenhum dos dois é um guerreiro
que premiou suas vitórias com
mancebos.
Nenhum dos dois tem riquezas
para acalmar a ira dos juízes.
Nenhum dos dois é presidente.
Nenhum dos dois é um ministro.
Nenhum dos dois é um censor de
seus próprios anelos mutilados...

E sentem que podem a cada
manhã ver sua árvore,
seu parque,
seu sol,
como você e como eu...
entranhas
na mais doce intimidade
com amor,
assim como por sempre
afundo minha carne
desesperadamente
em teu ventre
com amor também.

Não somos Deus.
Não erremos outra vez.



28 jul. 2009

Bailando en el salón

Estas tres canciones están vinculadas a Chico Buarque, ya sea en la composición o en la interpretación, y tienen una relación intertextual... "conversan" entre sí.



Deixe a Menina
Chico Buarque


Deja a la muchacha


No es porque estés presente,
querido muchacho,
pero estás equivocado
demasiado equivocado.

Son las diez
y el samba está caliente

deja a la morena contenta,

deja a la muchacha bailar en paz.


Yo no quería hurgar en la herida,

pero tengo que decirte

que estás insoportable,

estás insufrible.

Y si vas a seguir ceñudo

con esa cara de marido

la muchacha es capaz de aburrirse.

Detrás de todo hombre triste
hay siempre una mujer feliz...

y detrás de esa mujer,
mil hombres siempre tan gentiles.

Por eso, por tu bien,
o te la sacas de la cabeza
o mereces a la muchacha que tienes.


No sé si es para entusiasmarse

querido muchacho,

pero aquí ya nadie
te aguanta más.

Son las tres,
el baile está caliente,

deja la morena contenta,

deja a la muchacha bailar en paz.


No es por estar frente a ti
querido muchacho,

pero estás equivocado,

demasiado equivocado.

Son las seis
y el baile está caliente,

deja la morena con nosotros

deja a la muchacha bailar en paz





Sem Compromisso
Intérprete: Chico Buarque
Composición: Nelson Trigueiro / Geraldo Pereira


Sin Compromiso


Sólo bailas con él

y dices que es sin compromiso.
Más vale que la termines

no soy un hombre sumiso.


Fui yo quien te trajo,
no hagas papel de loca
.
Para que no haya pelea

dentro del salón
.

Cuando toca un samba,
te saco a bailar

y me dices: no,

ahora tengo una pareja.
Y sales bailando con él,

alegre y feliz
.
Cuando se detiene la música

aplaudes y pides bis.



Sou eu
Ivan Lins/Chico Buarque
Intérprete: Diogo Nogueira


Soy Yo


En mi mano

el corazón se sacude

cuando ella se lanza

por el salón.

Para él ella se requiebra
al otro le mueve la falda
,
con el otro se deshace

de las sandalias
.

Sin embargo después

que esa mujer esparce

su fuego de paja

por el salón,

a quien le arrastra el ala
,
quien le va a apagar la brasa
,
quien se lleva a la muchacha

a la casa

soy yo.
Quien sabe de ella soy yo
.
Quien da las cartas soy yo
.
Quien manda en el samba soy yo
.

El corazón
en mi mano suspira

cuando ella se lanza

por el salón
.
A este le guiña el ojo,

a aquél le hace un favor
,
con el otro casi se va

de juerga.


Sin embargo después

que esa mujer esparce

su fuego de paja

por el salón,

a quien le arrastra el ala
,
quien le va a apagar la brasa
,
quien se lleva a la muchacha

a la casa

soy yo.

Quien sabe de ella soy yo.
Quien da las cartas soy yo
.
Quien manda en el samba soy yo
.



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NOTA DE TRADUCCIÓN

1- En la música "Sem Compromiso" me encontré con la dificultad de traducir "não sou nenhum pai-joão". Esa expresión idiomática se refiere a un muñeco de carnaval antiguamente llevado por los "blocos" en Rio de Janeiro. Era también conocido como Juan-bobo. La expresión "não sou nenhum pai-joão" es entonces "no soy un tonto", "no soy un muñeco"... un hombre sumiso.

2- En la música "Sou eu" también se encuentran expresiones idiomáticas que dificultaron la traducción en su sentido cabal: una de ellas es "quebrar um galho" (romper una rama) el sentido literal es completamente sin sentido para el español. Pero "quebrar um galho" significa hacerle un favor a alguien... pero es una expresión cuasi cariñosa, como disminuyendo la importancia del problema que requiere ayuda. Otra expresión que aparece es
"cair na gandaia" es deleitarse, gozar, aprovechar una fiesta.

10 jul. 2009

Fatamorgana de Amor con Banda de Música

Hernán Rivera Letelier

Miragem de Amor com Banda de Música

(...)
Fevereiro derretia ferros nessa noite. Sandálio, muito bêbado, num intervalo do pianista subiu no pequeno tablado, brincou um pouco com as teclas, cuspiu curtinho e levou o trompete à boca – mandíbula inferior encaixando à perfeição, a boquilha ficando bem segura e seu tórax alargou até retesar a fazenda da camisa – quando começou a tocar, seus potentes fraseados de ouro iluminaram de repente a atmosfera e preencheram de som todo o espaço do local.
O ar vibrava. O pianista, um zambo de aspecto maltratado, vestido de fraque, voltou ao palco tentando segui-lo no piano ao melhor estilo jazz. Fazia tempo que o trompetista não tocava com tanta paixão. A noite estava para ser incendiada de música e ele, lírico de álcool, inflamado de música, era um cigano de parque de diversões lançando fogo pela boca. O cabaré inteiro guardava silêncio. Arrepiadas, as mulheres sentiam a música correndo feito água quente pelo corpo. Sentiam-na como uma espessa pintura dourada inundando o clima sujo do bordel; pressentiam que podiam levantar um dedo, besuntá-lo de música e pintar de ouro os lábios, as unhas, as pálpebras. Algumas choravam sem perceber. Por um instante foram tão altas e puras como a penetrante música, aquela que expressava a essência exata da noite.
(...)


Resolvi reproduzir aqui também a poesia que escreveu Dalton sobre esse trecho do livro.
Dalton é um grande estudioso da música popular brasileira. O site dele é www.mpbsapiens.com






...Fevereiro
Noite derretendo ferros
E Sandálio
Mui borracho
No intervalo do piano
Subiu ao palco tablado
Gracejou com o teclado
Cuspiu de leve e discreto
Levou à boca o trompete

Mandíbula e boquilha
Duas velhas conhecidas
Se encaixaram como gêmeas
Peito estufando a camisa
Fez da sua boca uma amiga
Que se entregou como fêmea
Ao próprio macho dourado
Tocando os seus fraseados
Iluminando o ambiente
Que embriagava a galera
Presente na atmosfera
Iluminando o repente

Ar vibrava no piano em desejo
De um zambo maltratado
Num fraque amarrotado
Tentando no palco seguir seu harpejo
Num nobre estilo do jazz
De improviso e viés
E o som tornou dourado o vilarejo

Música e noite viraram um fogo
Alimentado do álcool
Naquele cigano palco
De parque de diversões ou de gozo
Naquele bordel das paixões
Um carrossel de emoções
Juntou o lírico etílico em fogo

Agora o cabaré era um silêncio
Com fêmeas arrepiadas
Por música abaladas
O sangue correndo em vasos fervendo
Pele feita em melodia
No seu bordel de alegria
Inundou por completo o sentimento

Já não tinha sujeira no puteiro
Que virou ouro em miragem
Refeito na maquiagem
Pálpebras, unhas e lábios inteiros
Emocionando em magia
De pureza e fantasia
Às refeitas damas e cavalheiros

Foi a essência do orvalho
Que transformou docemente
Palco e tablado ambiente
O tal trumpete borracho
Do Sandálio
Em noite derretendo ferros
Fevereiro...